




Admirando o uniforme do pai Paulo Barbosa, 60, um exímio bombeiro industrial, foi que Vagner Barbosa, 35, decidiu seguir a profissão que exerce. Bombeiro há 16 anos, ele conta que passou por um tratamento de choque oferecido pelo próprio genitor para correr atrás do sonho, pois tinha pavor de defuntos e sangue, comuns em sua atual rotina. "Ele me empurrou para debaixo do caixão da minha avó e disse para eu pedir que ela levasse meu medo embora. Tenho a impressão de que aquele empurrão foi, na verdade, um pontapé que me colocou no caminho certo. Se eu quisesse seguir no ofício, deveria ser melhor do que ele", divaga.
Ciente da dura missão que teria pela frente, afinal, hoje ele atende cerca de quatro ocorrências por dia e, neste período de estiagem prolongada e baixa umidade relativa do ar, acaba sendo acionado, diariamente, para quase três operações de combate a queimadas, ele não hesitou quando, aos 20 anos, tomou sua decisão.
Diligente, Vagner prestou o concurso da Polícia Militar, permaneceu por três anos no policiamento e, somente depois disso, assumiu o posto de soldado no subgrupamento mogiano dos Bombeiros, onde atua no setor operacional, atendendo ocorrências generalizadas. "Somos uma espécie de faz tudo. Em um dia só - ele trabalha em turnos de 24 por 48horas - podemos resgatar um gato numa árvore e depois sermos acionados para apagar um incêndio em uma região de pastagens", conta.
O desgaste de um dia corrido, que começa às 6 horas e ‘pode’ terminar às 22 horas, é amenizado pelo compartilhamento de informações com os outros companheiros de profissão. Vagner afirma que o trabalho em equipe faz com que cada membro pegue um pedaço do fardo para si: "Nos tornamos uma família. Cuidamos uns dos outros durante as missões e assim garantimos o bem estar do grupo".
A figura de herói que o bombeiro imprimi não interfere no caráter de Vagner. Aliás, antes de ingressar na profissão, ficava imaginando quão difícil seria apagar um incêndio de grandes proporções, por exemplo. Hoje, depois do treinamento duro que recebeu e das diversas ocorrências atendidas em seus plantões, o profissional assegura que suas atividades são fáceis, contudo memoráveis. "O que mais me marcou foi o resgate em que participei, no começo deste ano, em Guararema. A cidade tinha sido castigada por causa das chuvas e, uma das famílias, com casas em situação de risco, estava soterrada. Meu medo de defunto quis voltar, mas minha experiência e determinação foram mais fortes. Acabamos por localizar o garoto de 10 anos e a mulher, de 22", relembra.
Labuta
O Equipamento de Proteção Individual (EPI), composto por capa, calça, capacete, bota e luva para incêndio, é o que protege o bombeiro quando a missão é apagar um incêndio. O Equipamento de Proteção Respiratória (EPR) o ajuda a respirar. "Peso 77 quilos e carrego mais 35 quando atendo este tipo de ocorrência. Perdemos, em média, de 2 a 3 quilos se a queimada demora de duas a três horas para ser contida", revela.
O único acessório amigo nessas horas é o cantil cheio de água que Vagner carrega na cintura: "A solidariedade das pessoas também é muito bem vinda. Algumas nos servem até limonada para matarmos a sede".
Após 24 horas alerta e depois de ter atendido diversas ocorrências, o corpo pede descanso. Contudo, Vagner discorda. "Depois do trabalho tem a família, faculdade de Análise de Desenvolvimento de Sistema que iniciei há pouco tempo e outras atividades. Sempre busco me aprimorar, no período da folga, para contribuir ainda mais com o Corpo de Bombeiros. Já fiz até curso de enfermagem pensando nisso. Só não quero ficar parado, pretendo aprender sempre", explica.
Vagner vai se aposentar com 49 anos e diz que pretende servir até o máximo que puder. Ele argumenta que não quer ficar parado e, se pudesse, continuaria na profissão. "Volto todo plantão com um sorriso no rosto. Gosto de ser bombeiro", conclui.








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