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Copa 2014 - Informalidade e assaltos serão vilões da Copa em SP, diz ex-secretário


25/02/10

José Vicente Filho traça alternativas contra a violência urbana durante o Mundial
Coronel da reserva da PM de São Paulo e ex-Secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva Filho é também especialista em segurança urbana. Ele aponta quais medidas serão necessárias para que a Copa no Brasil transcorra sem incidentes graves. Para ele, a diminuição da informalidade nos grandes centros urbanos é essencial para a segurança. “É preciso ampliar o conceito de ordem pública e reduzir o grau de informalidade de muitas atividades”.
 
O ex-Secretário de Segurança Pública de São Paulo afirma que o roubo será o “estraga-festa” durante o torneio. Em 2009, o número de roubos em São Paulo aumentou 18%. No total foram 257 mil ocorrências contra 217 mil em 2008. O Coronel cita ainda o atraso no planejamento das cidades. “O setor de segurança pública aqui em São Paulo e em outros estados tem se mexido muito pouco ainda em relação às medidas e o planejamento para a Copa”.O Brasil espera receber cerca de 600 mil turistas durante a Copa do Mundo de 2014.
 
 O que precisa ser mudado até lá para que haja organização e segurança durante o evento?
Em rápidas palavras, equipamentos, treinamento, capacitação e integração de recursos. Isso vale para São Paulo e para todas as cidades-sede da Copa. A melhoria da capacidade de resposta rápida do aparato policial é muito importante. E que tudo isso fique como legado para depois do evento. Mas temos um antecedente ruim. Foram gastos milhões no Rio para os jogos pan-americanos e não houve resultado nenhum. O sistema de rádio, por exemplo, era de baixa qualidade, pois foi feito às pressas.
 
Em 2009, o índice de roubos no estado de São Paulo aumentou 19%. Foram 40 mil ocorrências a mais em relação a 2008. Esse crescimento é um indicativo do que teremos em 2014?
O roubo vai ser o grande estraga-festa durante a Copa em 2014 e vai atingir turistas brasileiros e estrangeiros, além dos moradores. É preciso ampliar o conceito de ordem pública e reduzir o grau de informalidade de muitas atividades, como camelôs, botecos de periferia, estacionamento irregular, flanelinhas. Tudo terá que ser regulamentado. Quanto mais informalidade, mais problemas de segurança. Por exemplo, você tem zero de informalidade no subsolo da estação Sé do metrô. Na hora que entra na informalidade ao ar livre, você percebe que episódios de crime aparecem com grande intensidade. O grande problema é a desorganização nas ruas, que favorece os pequenos crimes. Temos áreas de turismo espalhadas pela cidade. Há restaurantes, vida noturna. Os turistas estarão lá. Os predadores também. O setor de segurança pública aqui em São Paulo e em outros estados tem se mexido muito pouco ainda em relação às medidas e o planejamento para a Copa.
 
É preciso ampliar o conceito de ordem pública. E reduzir o grau de informalidade de muitas atividades, como camelôs, botecos de periferia, estacionamentos irregulares, flanelinhas e outras atividades do gênero. Tudo terá que ser regulamentado. Quanto mais informalidade, mais problemas de segurança.
 
Tolerância zero a partir de agora, como ocorreu em Nova York na década de 1990, seria uma saída?
Esta seria apenas um instrumento na caixa de ferramentas. Pode aplicar esse tipo de expediente estritamente em áreas conflagradas, de extrema violência crônica.
 
E quais seriam as estratégias?
Só no estado de São Paulo, até a Copa, estima-se que 10 mil policiais se aposentem. A preparação de policiais novos, por exemplo, deveria ter começado no ano passado. Há a necessidade de preparação dos policiais civis e militares num padrão de qualidade apropriado para uma cidade de turismo intensivo como é o caso de São Paulo. Além disso, precisaremos ter uma integração dos centros de emergência: nós temos operações da PM em um lugar, da Policia Civil em outro, e bombeiro, defesa civil e trânsito em outros locais. Acho que isso é uma deficiência grave. A integração é essencial para respostas eficientes, no caso de emergências. Outro ponto é a modernização da estrutura da polícia. É preciso reduzir o número de delegacias de polícia, que são excessivas aqui na capital. Enxugando algumas, coloca-se mais verba em delegacias com mais demanda. Evita-se a perda de recursos.
 
Provavelmente haverá muitos homens de segurança particulares. Isso pode ajudar de alguma forma?
Primeiro é necessário entendimento. A prefeitura, como acontece em Londres, deveria estabelecer o credenciamento obrigatório de todo segurança privado, por meio de uma lei municipal. E, para obter o credenciamento, deverá passar por um rigoroso treinamento policial. Além disso, a ajuda dos auxiliares de segurança voluntários será importantíssima. Recrutados e treinados, serão uma “quarta força”, juntamente com a polícia do estado, as guardas municipais e a segurança privada já regulamentada. A própria Fifa estimula isso, uma segurança discreta. Sem tropa de choque, escudos e capacetes em jogos da Copa.
 
O CNJ - Conselho Nacional de Justiça está propondo o trabalho de presidiários nas obras para a Copa de 2014 como forma de reintegração dessas pessoas na sociedade. Isso ajudaria a reduzir o índice de criminalidade no país?
É uma ideia muito importante, mas o Brasil está sem perspectiva de realizar isso na quantidade e qualidade desejável. A começar pelas péssimas condições carcerárias. São 500 mil presos e 300 mil vagas. O preso deveria começar a ter uma perspectiva de reinserção com condições mínimas de salubridade nos presídios. Na rua, ele precisaria de duas condições favoráveis: ter lugar para morar e ter trabalho. Sem isso, você perde o indivíduo. Nós não temos políticas claras em nenhum lugar desse país para essa questão.
 
Faz sentido falar em um acordo entre a polícia e o crime organizado durante a Copa? Por exemplo, no Rio, em 2007, parece ter havido uma trégua...

Não sei como foi isso no Rio de Janeiro. Mas, o que acontece nessas condições geralmente é um acordo pontual, que não pode funcionar como uma estratégia do sistema de segurança a longo prazo.
 
 


Fonte: Portal Copa 2014


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