Pais recorrem a detetives ao suspeitar de uso de drogas
Rio - Com o filho S., de 18 anos, internado numa clínica de tratamento para dependentes químicos, a empresária M., 40, voltou quinta-feira ao escritório do detetive Luiz Cláudio Gomes, 44, na Av. Presidente Vargas, no Centro do Rio. Ainda desesperada, M. foi agradecer ao investigador por ter seguido os passos do universitário por mais de um mês, confirmando, com fotos, filmes e áudio, o que já suspeitava: além de estar se drogando, o jovem tinha começado
a traficar. O trabalho sigiloso prestado pela empresa Gomes Detetives Associados custou cerca de R$ 8 mil, mas M. não reclama. "Esse esforço vai salvar a vida do meu bem mais precioso", confia, com a voz embargada.
Assim como M., muitos pais de classe média estão recorrendo a investigadores particulares para saber se os filhos estão envolvidos com entorpecentes. Os 10 escritórios mais tradicionais do ramo na capital confirmam que cada um recebe por mês em média quatro casos semelhantes ao de M.
A instrumentadora cirúrgica Lúcia Maria, 55, conta que pagou R$ 5 mil para que um detetive levantasse a vida do filho, de 18 anos, por uma semana. Há dois anos, Lúcia desconfiou que ele estivesse usando maconha, mas as conversas foram inúteis. "Recebi um pen-drive com dossiê mostrando que ele já estava completamente viciado em maconha e, pior, plantando a droga na casa de um amigo", lembra Lúcia, que internou o rapaz, inicialmente contra a vontade dele, numa clínica em Vargem Pequena.
A empresária M. decidiu procurar o detetive quando começou a perceber drásticas mudanças no comportamento do filho. "Ele era tímido, mas brincalhão. Quando entrou para a faculdade, começou a chegar em casa tarde, falante e, na maioria das vezes, mal-humorado. Quando começaram a sumir objetos em casa e ele passou a sair com frequência, ficando sem banho e pedindo dinheiro a toda hora, tive quase certeza de que ele tinha entrado num caminho cruel, o que foi confirmado", diz M.
Pais e mães atormentados com a possibilidade de os filhos seguirem o caminho das drogas não param de chegar aos escritórios. "Esse tipo de investigação só perde para infidelidade matrimonial", ressalta o detetive Gomes. Segundo ele, a preocupação dos pais em relação ao que os filhos fazem fora do lar se acentuou depois do escândalo envolvendo cinco amigos bem-nascidos da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, que espancaram a empregada doméstica Sirlei Dias de Carvalho Pinto, em junho de 2007.
Na Rua Senador Dantas, no escritório de Joaquim Roque dos Santos, 70, o Detetive Roque, como é conhecido, com 43 anos de profissão, atesta que, em boa parte dos casos, as suspeitas da família têm fundamento. "A metade é resolvida com monitoramento. E aí nossos 12 detetives entram em ação. Em mais de 50% dos casos, a suspeita de envolvimento com o tráfico é confirmada", garante Roque.