




RIO - O mercado das blindagens residenciais, que apresenta crescimento anual de cerca de 40%, segundo a Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), vem conquistando áreas além das tradicionais zonas de luxo. O serviço não é mais privilégio de ricos e milionários nem se restringe à Zona Sul da cidade, onde é componente de segurança quase obrigatório. Regiões do subúrbio e da Zona Norte cariocas, como o Grande Méier, já contam com o revestimento específico, que no caso das construções voltadas para a classe média indica que a área não é segura.
A entrada para os 34 mil metros quadrados que delimitam o complexo de edifícios que está sendo construído no Grande Méier será protegida por guaritas blindadas e contará também com a clausura dos veículos. Cercado por favelas, como o Morro do Urubu e o Engenho da Rainha, o condomínio pretende garantir tranquilidade aos futuros moradores. A democratização e o barateamento da blindagem – que pode chegar a custar R$ 2 mil por metro quadrado para proteção contra armamento leve – é, para as empresas do ramo, uma necessidade emergencial.
Emerson Mendonça, diretor técnico da EMS Blindagens Arquitetônicas e presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica da Abrablin, explica que o serviço tem de ser, antes de tudo, viável ao consumidor.
– Normalmente, os edifícios próximos a favelas não são de alto padrão. E com os tiroteios e conflitos entre tráfico e polícia, as pessoas se sentem desprotegidas. Essa necessidade independe da classe social – explica, ressaltando que o nível 3, que protege contra fuzis AR15 e FAL, é o mais solicitado na cidade. – No Rio, o tipo de blindagem mais pesado é o mais procurado. Existe uma insegurança muito grande.
E a insegurança é, para Mendonça, o maior motivo para a contratação do serviço. Os tipos de blindagem residencial mais solicitados são o de portas, fechaduras e janelas. As guaritas dos edifícios são, também, grandes focos do revestimento especial.
– A guarita é o coração do prédio. A blindagem e a criação de sistemas para passar pizza e dinheiro, por exemplo, evita surpresas – explica, acrescentando que, na maior parte das vezes, a blindagem residencial consiste no reforço das estruturas mais frágeis e, consequentemente, mais caras de blindar, como o vidro. Como alternativa para as áreas mais pobres, uma opção viável é a blindagem mista de alvenaria e concreto. O aço, também tido pelas empresas do ramo como mais barato de blindar, é o material utilizado na construção de venezianas internas às janelas dos cômodos da casa.
Blindagem compulsiva
Para o presidente da Câmara de Blindagem Arquitetônica da Abrablin existe uma tendência ao exagero na contratação do serviço. Ele afirmou que algumas pessoas, ao mudarem de residência, têm a intenção de levar, também, as portas e janelas blindadas.


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