Meio Ambiente - MMA elabora politica nacionalpara resíduos sólidos.
22/04/04
MMA apresenta proposta para Política Nacional de Resíduos Sólidos
O MMA -
Ministério do Meio Ambiente elaborou uma proposta para Política
Nacional de Resíduos Sólidos que será examinada, nos dias 3 e 4 de maio, na
Câmara Técnica de
Saúde, Saneamento Ambiental e Gestão de Resíduos do Conama
- Conselho Nacional do Meio Ambiente. A política de resíduos sólidos tem
como objetivo disciplinar
o gerenciamento integrado de resíduos sólidos e
contribuir para mudança dos padrões de produção e de consumo no país.
De acordo com a gerente
de projeto da Secretaria de Qualidade Ambiental do
MMA, Grícia Grossi, a Política Nacional de Resíduos Sólidos contribuirá para
a melhoria do meio ambiente e da
qualidade de vida, mas também vai requerer
mudanças de todos os setores envolvidos, tanto no que diz respeito à
fabricação do produto quanto ao comportamento
dos consumidores. "É preciso
que se tenha responsabilidade com o pós-consumo. Não impor só produto no
mercado, mas pensar em todo o seu ciclo de vida, como,
por exemplo, o
descarte da embalagem de um produto após sua utilização". Para Grícia, a
sociedade deve exigir produtos com menos embalagem e consumir só o
essencial. "O desenvolvimento sustentável está nos padrões de consumo", diz.
A Política Nacional de Resíduos Sólidos vai orientar e traçar diretrizes
observando os princípios da prevenção, precaução e do poluidor pagador
(atividades econômicas taxadas por provocar poluição). Na falta de uma
política, desde
1998, o Conama vem elaborando resoluções para orientar
vários setores, como os de fabricantes de pilhas, baterias, de pneus, de
resíduos da construção civil, e de
emissão de incineradores e resíduos
hospitalares.
Outros temas específicos, como embalagens e resíduos de embalagem, lâmpadas
fluorescentes,
de vapor de sódio e mercúrio e equipamentos eletrônicos já
foram discutidos no Conama e esperam a definição da Política Nacional de
Recursos Sólidos para ser
regulamentados.
A proposta elaborada pelo MMA, além de adotar medidas preventivas quanto à
geração de resíduos, visa incentivar a reutilização, a
reciclagem e o uso de
substâncias alternativas compatíveis com o ambiente. Ainda prevê a inserção
social dos catadores de materiais recicláveis, reconhecendo-os
como agentes
econômicos organizados em cooperativas de trabalho, para a realização da
coleta, processamento e destinação comercial de resíduos recicláveis.
Segundo a gerente do MMA, as pessoas não têm noção da quantidade de lixo que
geram no decorrer do dia e nem se preocupam com o seu destino.
Estima-se que
a geração per capita de lixo doméstico seja de meio quilo para cidades com
menos de 500 mil habitantes e de 700 gramas, com mais de 500 mil,
podendo
ultrapassar um quilo.
Dados do IBGE - Instituto Brasileiro de Geográfia e Estatística sobre
destinação de resíduos sólidos no Brasil
mostram que, em 1989 foram
coletados mais de 240 mil toneladas por dia dos lixões. Em 2000, o número
chegou a mais de 200 mil. De acordo com a gerente do
MMA, esse resultado
apresenta apenas um panorama da destinação do lixo no Brasil e funciona como
indicativo, uma vez que a pesquisa é feita por envio de
formulário, e não
por visita nos lixões.
Resíduos Sólidos
Resíduos sólidos são a denominação genérica para determinados tipos de
lixo
produzido pelo homem. São representados por materiais descartados por certas
atividades humanas.
Os Resíduos sólidos podem ser divididos
em grupos, como:
1. Lixo Doméstico: é aquele produzido nos domicílios residenciais.
Compreende papel, jornais velhos, embalagens de plástico e
papelão, vidros,
latas e resíduos orgânicos, como restos de alimentos, trapos, folhas de
plantas ornamentais e outros.
2. Lixo Comercial e
Industrial: é aquele produzido em estabelecimentos
comerciais e industriais, variando de acordo com a natureza da atividade.
Restaurantes e hotéis
produzem, principalmente, restos de comida, enquanto
supermercados e lojas produzem embalagens.
Os escritórios produzem, sobretudo, grandes
quantidades de papel.
O lixo das indústrias apresenta uma fração que é praticamente comum aos
demais: o lixo dos escritórios e os resíduos de
limpeza de pátios e jardins;
a parte principal, no entanto, compreende aparas de fabricação, rejeitos,
resíduos de processamentos e outros que variam para cada
tipo de indústria.
Há os resíduos industriais especiais, como explosivos, inflamáveis e outros
que são tóxicos e perigosos à saúde, mas estes constituem uma
categoria à
parte.
3. Lixo Público: são os resíduos de varrição, capina, raspagem, entre
outros, provenientes dos logradouros públicos (ruas e
praças), bem como
móveis velhos, galhos grandes, aparelhos de cerâmica, entulhos de obras e
outros materiais inúteis, deixados pela população, indevidamente,
nas ruas
ou retirados das residências através de serviço de remoção especial.
4. Lixo de Fontes Especiais: é aquele que, em função de determinadas
características peculiares que apresenta, passa a merecer cuidados especiais
em seu acondicionamento, manipulação e disposição final, como é o caso de
alguns
resíduos industriais antes mencionados, do lixo hospitalar e do
radioativo.
Com o crescimento acelerado das metrópoles, do consumo de produtos
industrializados, e mais recentemente com o surgimento de produtos
descartáveis, o aumento excessivo do lixo tornou-se um dos maiores problemas
da
sociedade moderna. Isso é agravado pela escassez de áreas para o destino
final do lixo.
A sujeira despejada no ambiente aumentou a poluição do
solo, das águas, do
ar e agravou as condições de saúde da população mundial. O volume de lixo
tem crescido assustadoramente. E umas das soluções imediatas
seria reduzir
ao máximo o seu volume e o consumo de produtos descartáveis, reutilizá-los e
reciclá-los.
Felizmente, para a Natureza e para o
homem, os resíduos podem ser, em geral,
reciclados e parcialmente utilizados, o que traz grandes benefícios à
comunidade, como a proteção da saúde pública e a
economia de divisas e de
recursos naturais.
O aterro sanitário é um processo de eliminação de resíduos sólidos bastante
utilizado. Consiste na
deposição controlada de resíduos sólidos no solo e
sua posterior cobertura diária.
Uma vez depositados, os resíduos sólidos se degradam naturalmente
por via
biológica até à mineralização da matéria biodegradável, em condições
fundamentalmente anaeróbias.
O aterro sanitário é uma obra de
engenharia que deve ser orientada por
quatro objetivos:
diminuição dos riscos de poluição provocados por cheiros, fogos, insetos
utilização
futura do terreno disponível, através de uma boa compactação e
cobertura
minimização dos problemas de poluição da água, provocados por lixiviação
controle da
emissão de gases (liberados durante os processos de degradação)
Esse processo tem as seguintes vantagens e desvantagens:
Vantagens
Desvantagens
Processo de baixo custo Longa imobilização do terreno
Recuperação de áreas degradadas Necessidade de grandes áreas
Flexibilidade de operação
Necessidade de material de cobertura
Não requer pessoal altamente especializado Dependência das condições
climáticas
Um aterro
sanitário é um reator biológico em evolução, que produz:
resíduos gasosos: CO2, metano, vapor d´água, O2, N2, ácido sulfúrico e
sulfuretos
resíduos sólidos: resíduos mineralizados
resíduos líquidos: águas lexiviadas.
Fonte: ASCOM
MMA
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