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SST - Coletores enfrentam rotina de perigo ao manipular lixo doméstico com vidros e agulhas


05/09/19

 Concessionária que atua na coleta aponta que, em média, 2 a 3 trabalhadores ficam feridos por objetos cortantes semanalmente, em Campo Grande.

 
"Me lembro como se fosse hoje. Eu estava no turno da noite, descendo a rua Rui Barbosa. Nós pegamos o lixo, na frente de uma farmácia e o meu colega não percebeu que tinham agulhas, todas mal armazenadas. Uma delas atravessou o dedo e ele gritava de dor. O dono viu e ficou desesperado, pedindo pra gente devolver as sacolas, mas, eu peguei e disse que só entregava na mão do meu responsável. Comigo foi um tempo depois, o vidro cortou, só que eu estava de luva, com sangue quente, fui perceber só depois". O relato é do Fabiano Soares Franco, de 36 anos, um entre milhares de coletores já feridos por objetos cortantes, em Campo Grande.
 
O triste episódio do Fabiano, que exerce a atividade há 14 anos, é algo que afastou 431 trabalhadores da coleta em Campo Grande, em 2018. Neste ano, até o mês de março, também já foram contabilizados 136 notificações de acidentes na rotina dos coletores. Feridos, eles amargam a rotina de aguardar a cura, enquanto as pessoas resistem em descartar o próprio lixo de forma errada, principalmente quando possuem objetos cortantes.
 
"Nós estamos sempre na correria, fica difícil observar sacola por sacola. Na vez em que eu me machuquei, lembro que a médica me deu cinco pontos e disse: mais um pouquinho você perdia o tendão. Depois, fiquei mais esperto e agora saio gritando nas casas: olha o vidro, tem vidro na sacola. A partir daí, percebi que muitas donas de casa mudaram o comportamento e até mandam bilhetes na sacola. É uma atitude simples, mas, até já fui chamado para dar palestras e falar da minha experiência", comentou Soares.
 
Com apenas 3 meses de experiência e "fazendo o "percurso", como os coletores dizem, Bill Sérgio, de 26 anos, fala que já aprendeu com os colegas e ainda não se feriu com objetos cortantes. "Eu saio da base e vou para o bairro Santa Luzia. Uma vez machuquei o tornozelo ao passar em um quebra-molas, mas, depois fiquei ligeiro. Os colegas também me ensinaram a pegar a sacola pela amarração, só que muitas vezes as pessoas jogam espeto de madeira, daqueles do espetinho, além de vidro e pedaços de pau quebrado", comentou ao G1.
 
Da mesma forma, Anderson Davi de Trindade Carvalho, de 24 anos, lamenta o fato de presenciar colegas feridos por agulhas. "Essa pessoa se afastou e eu nunca mais tive notícias dele. O meu pai, que tem mais de 10 anos de experiência nessa área, com certeza já presenciou muitas coisas do tipo", disse. Já o motorista de um caminhão da concessionária de coleta do lixo (Solurb), Marildo Morel, de 33 anos, fala que o cuidado com os colegas é grande. "O serviço deles é muito puxado, então a gente dirige olhando pra frente e cuidando eles lá atrás. É por isso que, em casa, as pessoas precisam ter mais educação ambiental", ressaltou.
 
Estatísticas mostram que coletores transitam na contramão da segurança
Conforme as estatísticas do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o grande número de ocorrência mostra que os coletores transitam na contramão da segurança. Entre os anos de 2012 e 2018, também foram registrados 1.434 acidentes com coletores ao manipularem o lixo domiciliar na cidade, superados apenas por técnicos de enfermagem, com 1.764 ocorrências.
 
Ainda segundo especialistas, a falta de um regulamento específico, que prevê conforto e segurança para os trabalhadores aliada a má separação do lixo doméstico, seriam a combinação para os riscos diários que eles estão sujeitos.
 
“Há muitos registros de funcionários que acabam se ferindo com materiais perfurocortantes. Por isso, é importante que a população embrulhe esses resíduos em papel grosso, como um jornal, ou coloque-os em uma caixa”, disse a procuradora Simone Beatriz Assis de Rezende, que instaurou procedimento, no mês de julho deste ano, para apurar acidente com um funcionário da Solurb.
 
Dona de casa diz que pratica coleta seletiva há 5 décadas e busca ser cuidadosa com os coletores de lixo
A dona de casa e aposentada Maria Terezinha Louveira Cavalcante, de 75 anos, moradora do bairro Coophasul, região norte de Campo Grande, disse que pratica coleta seletiva há 5 décadas e também "toma muito cuidado" para os coletores não se ferirem.
 
"Eu tenho netos e, quando quebra um copo de vidro aqui em casa, na hora eu já corto a garrafa pet, coloco o vidro lá dentro, fecho com fita adesiva e somente depois coloco na sacola. Eu inclusive amarro bem. Eu não quero que me corte e também não quero o mesmo para os trabalhadores. Desde que me casei, há 5 décadas, meu comportamento é esse e, com o tempo, passei a ensinar o pessoal de casa e eles mantiveram esse comportamento", comentou a idosa.
 
Há cerca de 2 meses, o marido de D. Teresinha faleceu. "Ele era diabético e precisa aplicar com agulha a insulina. Então, sempre nós colocávamos na garrafa e eu cuidava muito para não machucar ninguém. Eu também guardo as garrafas e faço doações, quando tem feira aqui no bairro, para aquelas pessoas que vendem detergente e banha de porco. As caixas de leite eu também separo e só descarto quando passa o caminhão com coleta seletiva", explicou.
 
No mês de maio, a Solurb também elegeu a praça Ary Coelho, localizada no centro, para conversar com a população sobre o descarte correto de resíduos. A campanha, na 6ª edição, é muito necessária, principalmente, quando avaliamos dados do Observatório de Segurança e Saúde no Trabalho, que apontam 11,2 mil casos de acidentes de trabalho em Mato Grosso do Sul, no ano de 2018, uma média de 30 ao dia.
 
"A campanha nasceu após constatarmos um alto índice de acidentes com os nossos colaboradores, quando então decidimos promover campanhas visando a conscientizar a população sobre a importância de acondicionar e embalar os resíduos de forma correta”, disse na ocasião o coordenador de segurança da Solurb, Readir Andrade.
 
A concessionária ainda ressalta que 1,3 mil trabalhadores atuam na capital sul-mato-grossense, sendo que, de 2 a 3 se ferem por semana, com objetos como vidro, espetos, palito de churrasco de madeira, seringas e pontas de faca.
 
Campo Grande possui ao todo 170 pontos de entrega para descarte de resíduos sólidos, diz Solurb
Com relação aos pontos de entrega, no qual as pessoas podem destinar o vidro, papel, plástico, garrafas pet, óleo de cozinha, metal, entre outros, são 170 na cidade. Em seguida, tudo é destinado para três cooperativas e também associação de catadores, que fazem a triagem do que será encaminhado para reciclagem.
 
Já os lixos hospitalares devem ser descartados em postos de saúde, para posteriormente serem incinerados. No caso de carcaças de animais mortos, o descarte é feito pela Solurb. A pessoa precisa liberar para a concessionária e aguardar o prazo de até 24 horas para o recolhimento.
 
Os lixos hospitalares devem ser descartados em postos de saúde, a fim de serem recolhidos e incinerados. Já carcaças de animais mortos, são descartadas pela Solurb. É preciso entrar em contato e esperar, que dentro de 24 horas, o animal será recolhido para incineração.
 
Como posso colaborar com a coleta seletiva?
Limpe as embalagens antes de jogá-las no lixo reciclável
Coloque o lixo reciclável em local visível e de fácil acesso aos coletores
Colabore com a coleta seletiva, esta ação é individual, antes de se tornar um bem maior para o meio ambiente
Observe os dias e turnos da coleta em sua rua e deposite seu lixo reciclável devidamente embalado
Jogue no lixo todo objeto que possa acumular água, como embalagens usadas, potes, latas, copos, garrafas vazias, etc.
 
O que recicla? O que não recicla?
Azul - papéis
 
Reciclável - caderno, caixas de leite/suco, caixas de papelão, folhas de rascunho, folhetos, jornais, listas telefônicas, papéis de embrulho e revistas.
 
Não reciclável - adesivos, carbono, celofane, fotografias, guardanapos e papel higiênico.
 
Amarelo - metais
 
Reciclável - alumínio, arames, bronze, chumbo, embalagens aerossóis, ferro, latas de alimentos, objetos de cobre, prego, tampinhas e zinco.
 
Não reciclável - esponja de aço e materiais mistos
 
Vermelho - plásticos
 
Reciclável - bacias, baldes, brinquedos, canos/tubos, isopor, frascos de shampoo, garrafas plásticas, potes de creme e saquinhos de leite.
 
Não reciclável - cabos de panela, embalagens laminadas de alimentos, tomadas, absorvente e fralda descartável
 
Verde - vidros
 
Reciclável - frascos em geral, garrafas, jarros, potes e produtos de limpeza
 
Não reciclável - cerâmicas, cristais, espelhos, lâmpadas fluorescentes, porcelanas e tubos de TV
 


Fonte: G1 - MS


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