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Condições de Trabalho - Funcionários denunciam más condições de trabalho no HemoRio após incêndio


13/06/18

epois do incêndio que atingiu o prédio do HemoRio, no Centro do Rio de Janeiro, na sexta-feira (1º), funcionários do HemoRio relataram ao G1 que trabalharam em condições insalubres no local. O Ministério do Trabalho afirmou que vai verificar a situação. Os problemas, segundo os trabalhadores, foram mais graves na última semana, mas ainda persistem.
 
Segundo os funcionários, os laboratórios e corredores do segundo andar do hospital ficaram cobertos de fuligem, a equipe não foi liberada pela direção e teve que continuar trabalhando sem equipamentos de proteção adequados e em condições insalubres.
 
De acordo com um funcionário da casa, a direção os teria obrigado a trabalhar sem máscaras de proteção e sem acesso aos profissionais de medicina do trabalho. O HemoRio nega a falta de máscaras (veja a nota na íntegra no fim da reportagem).
 
"A direção obrigou os funcionários a trabalharem no 2°andar, onde ficam os laboratórios, mesmo com intensa fuligem no ar e sobre as bancadas onde ficam os equipamentos. Só começaram a fornecer máscaras de proteção na quarta (6). Não podemos ser atendidos pela medicina do trabalho e fomos orientados a procurar consulta médica em outra unidade de saúde porque não iriam liberar nenhum funcionário, mesmo com o caos instalado", lamentou.
 
Indignada com a ausência de respostas da direção, uma biomédica contou que teve que limpar o laboratório com outros colegas de equipe e que está sofrendo com dor de cabeça, irritação nos olhos desde o incêndio.
 
"Na segunda-feira (4), minhas colegas de equipe fizeram uma limpeza, mas continua sujo de fuligem. O cheiro de queimado é muito forte. Não é nosso trabalho fazer essa limpeza. O equipamento do meu laboratório não pode nem ser ligado por recomendação técnica. Não tem como trabalhar assim".
 
"Em nenhum momento a direção falou sobre as causas do incêndio e sobre a nossa segurança e ainda nos disseram que o médico de trabalho não iria atender a gente em relação à inalação de fumaça, fuligem. Sinto muita dor de cabeça, tosse, irritação nos olhos", acrescentou.
 
Infraestrutura defasada
Ainda de acordo com funcionários, o Hemocentro do Estado do Rio, que abastece com sangue e derivados cerca de 180 unidades de saúde, também não possui portas corta-fogo, escadas e saídas de emergências ou Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, além de diversos medicamentos e materiais, de acordo com os denunciantes.
 
"Oitenta por cento de todo o sangue do Rj depende da gente, tem exames que o único laboratório público do estado que faze é o HemoRio. Esses exames estão comprometidos. Sem contar os pacientes que precisam que um tratamento e não tem no hospital por falta de dinheiro. Isso é frequente, não ter luva, gaze, medicamentos. O elevador é velho e as pessoas ficam presas muitas vezes. Isso é revoltante", desabafou um médico.
 
Em conversa com o G1, um funcionário contou que, mesmo antes do incêndio, a estrutura da unidade já era muito precária e "sucateada". Ele lamentou ter que tratar pacientes diante desse cenário e explicou que o sistema elétrico do hospital é um dos principais problemas.
 
"Vi crianças com leucemia transitando pelos corredores sem proteção, inalando a fuligem. A forma como a condição do hospital impacta na vida de um doente faz perder todo o sentido de uma unidade de saúde. O hemorio é referência e mesmo assim tem rede elétrica velha, sistema de refrigeração péssimo e é todo sucateado. Já estive em salas que chegavam aos 32ºC e já vi pacientes trazerem ventiladores de casa, e quabrarem janelas para permitirem entrada de ar", disse.
 
Emocionado, um dos médicos comentou que se sente mal no trabalho, "desmotivado, enquanto profissional da sáude. Eu quero trabalhar num lugar melhor", confessou.
 
HemoRio responde
A direção do Hemorio informa que, desde a madrugada de sábado, dia 2 de junho, vem empenhando todos os esforços para manter a unidade em funcionamento, dada a sua importância para o atendimento na rede estadual de saúde do Rio de Janeiro.
 
Os planos de contingência foram aplicados e um mutirão de limpeza foi organizado para manter o funcionamento dos setores e ao mesmo tempo garantir a segurança dos pacientes e funcionários. Alguns serviços foram realocados e as áreas em uso estão sendo monitoradas constantemente para que se mantenham adequadas à rotina da unidade.
 
Todos os funcionários lotados ou circulantes do segundo andar receberam máscaras de proteção e, em caso de necessidade, estão sendo liberados para atendimento médico, como é de praxe na unidade.
 
Os reparos emergenciais estão sendo realizados pela equipe de manutenção da unidade, que trabalha em conjunto com as equipes da Fundação Saúde e da Secretaria de Estado de Saúde no planejamento das obras que serão necessárias.
 
Em todas as dependências da unidade há sinalização de rotas de fuga, e os funcionários são orientados sobre os procedimentos em caso de evacuação emergencial do prédio.


Fonte: G1 RJ


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