Empresas de segurança não acreditam em hackers do bem
27/04/01
SÃO PAULO - Uma vez hacker, sempre hacker. Esse é o lema proclamado pelas empresas de segurança da informação. Elas fazem questão de distinguir o analista de segurança da figura que invade sites e redes corporativas.
Grandes nomes do mercado de segurança, como a Módulo, a ISS e a Deloitte Touche Tohmatsu, dizem descartar a contratação de ex-hackers. E chegam até a vasculhar a vida dos candidatos. “Uma pessoa com má índole não vai mudar. Quando contratamos alguém, pesquisamos a vida dela até sete anos antes”, explica Camilla Guasti-Nugent, diretora da ISS (Internet Security Systems).
A Módulo adotou a seguinte fórmula: quem tem técnica mas não ética está fora. “Só queremos pessoas com alto conhecimento e caráter”, diz Fernando Nery, presidente da empresa. Vale lembrar que, em março deste ano, um ex-funcionário da Módulo liberou informações estratégicas de clientes da empresa, entre eles grandes bancos. Tudo por causa de uma discussão com um de seus chefes.
Atualmente, a carreira de analista de segurança é uma das mais promissoras no ramo da tecnologia. São profissionais que podem ganhar até 15 000 reais por mês. Para isso, é preciso saber se infiltrar no submundo dos hackers e detectar falhas no sistema de segurança da própria empresa em que se trabalha.
É o caso do consultor da Hitech Anderson Ramos, de 22 anos, que se diz um “estudioso do assunto” desde adolescente. Ele acredita que o hacker nem sempre é adequado para se tornar analista por não saber se comportar como profissional. “Para implantar a segurança em uma empresa, é preciso muito mais que técnica”, diz.
Giuliano Ventura, de INFO EXAME
Fonte: Info Exame
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