




Os dados são eloqüentes. A campanha do desarmamento promovida pelo governo, que retirou de circulação cerca de 500 mil armas de fogo, agora tem caráter permanente. A sociedade civil, através de ONGs, também se mobiliza com campanhas de desarmamento. Mas as armas continuam entrando no País das mais diversas formas e a conseqüência disso é que estamos muito longe de índices aceitáveis em relação ao número de mortes.
O maior problema é que o Brasil tem 16 milhões de armas de fogo e, somente 13% delas, nas mãos do Estado. Sobre a devolução de armas caseiras, a grande maioria de baixo calibre, muitas matérias já se apresentaram na imprensa e a conclusão é que se torna urgente a desburocratização dos meios para essa ação. Hoje, são muitos formulários, muito controle com o cidadão que quer colaborar mas que vê crescer o número de armas nas mãos de bandidos.
É justamente dentro desse quadro que os cidadãos procuram se defender recorrendo a residências e carros blindados, recurso cada vez mais utilizado pela classe média, por pequenos e grandes empresários, por frotas de indústrias e pelos que se sentem ameaçados, em decorrência de posição de destaque na sociedade.
O Ministério da Justiça, em parceria com a ONG Viva Rio, já apresentou um trabalho onde identificaram 140 pontos de entrada de armas pelas fronteiras secas.
Todavia, se sabe que o número de armas que entra pelas fronteiras terrestres é irrisório se comparado com o número de armas fabricadas no país, compradas legalmente e que vão parar nas mãos do segmento da ilegalidade. As armas curtas respondem por mais de 80% das armas apreendidas.Segundo o trabalho, o número de armas militares como fuzis, submetralhadoras e metralhadoras ainda é muito reduzido.
Nas mãos dos brasileiros, de acordo com o levantamento, estão 7,6 milhões de armas ilegais, pouco menos das 8,4 milhões legalizadas. Assim sendo, o resultado da pesquisa aponta o óbvio - é necessário que o Estado implemente políticas mais rigorosas de fiscalização do armamento fabricado no Brasil e, também, entre os comerciantes desses produtos.
Na esteira dos acontecimentos policiais cresce o segmento de empresas que se dedicam à blindagem de imóveis e de carros. Trata-se de um setor que cresceu 18% em 2010 em relação ao ano anterior e que alimenta a perspectiva de colocar em torno de 8.000 novos carros blindados no mercado em 2011 e faturar cerca de R$3.8 bilhões.
O Estado com maior número de carros blindados é São Paulo e 71% dos usuários são homens entre 25 e 29 anos. Dos blindados em geral, 63% são produzidos para executivos ou empresários, 12% para políticos, 8% para artistas e 5% para juízes.


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