Insegurança - O que fazer para minimizá-la ?

Roberto da Luz

linha.gif (1525 bytes)

Não há dúvida que após o impacto causado não só pelo ato terrorista de 11 de Setembro, em si, mas, agravado, ainda, por sua exibição em tempo real para grande parte da população mundial, a vida de todos nós sofreu uma mudança que passa pela reavaliação de metas pessoais e converge, obviamente para aspectos ligados a segurança.

  

Esse clima que sucedeu à surpresa e ao horror, instalou-se pela população mundial e refletiu-se de pronto nos hábitos de milhões de pessoas atingidas direta ou indiretamente pelos efeitos da tragédia que se abateu sobre os EEUU.

De uma hora para outra, pessoas que nunca haviam abordado o assunto ou que pelo mesmo nutriam, um certo desprezo, passaram, bombardeados que foram pelo noticiário, a emitir opiniões e tecer considerações sobre eventuais falhas cometidas pelos serviços de segurança norte americanos.

Não foi incomum, nos dias que sucederam-se ao atentado do World Trade, que cronistas mundanos, romancistas e, até editorialistas de revistas esportivas, procurassem interpretar, o que a seu ver, teria proporcionado condições de atuação para os terroristas.

No âmbito dos profissionais de segurança, a quase totalidade dos analistas acordaram que, nos últimos anos, a alta e sofisticada tecnologia empregada pelos americanos fez com que os mesmos

descuidassem de um aspecto fundamental nas operações de inteligência o fator humano.

A desativação de agentes de campo e o relaxamento do controle exercido sobre imigrantes foram fatores que contribuíram em muito para facilitar a ação de infiltrados "adormecidos " .

Os gastos, além das milhares de vidas humanas perdidas, decorrentes dessa opção na condução da política de CI, estarão, certamente, presentes durante muitos anos na mente dos que têm sobre seus ombros a responsabilidade de dirigi-la.

No presente, com a contra-ofensiva liderada pelos EEUU resultando na ocupação do território que servia de base ao terrorista Bin Laden, permanece o clima de intranqüilidade e incerteza em grande parte do Globo. Os países alinhados aos americanos estão cientes de que são alvos em potencial de fanáticos que esforçam-se para travar o que chamam de guerra santa, contra os cristãos.

Quaisquer monumentos ou símbolos do mundo cristão ocidental / judeu podem se constituir em alvo de extremistas.

O povo americano dá mostras sucessivas de que procura retornar a uma normalidade, o que parece, no entanto estar longe de ocorrer, tendo em vista os indícios de guerra bacteriológica, surgidos.

A rigor, nenhum país pode se dar ao luxo de considerar-se fora desse contexto, ou declarar infactível uma ação terrorista.

Parafraseando Lennard Alexandrie, editor chefe da revista sueca Detektor : " O ataque terrorista contra o World Trade Center e o Pentágono mudou o mundo. A Segurança tornou-se o foco do mundo industrial e da sociedade como um todo."

Os efeitos econômicos fizeram-se sentir de imediato nas empresas aéreas com o cancelamento sistemático de vôos, conduzindo muitas delas à crises irremediáveis.

A indústria do Turismo, esteio e principal fonte de renda de inúmeros países atingiu níveis negativos jamais previstos ocasionando prejuízos, desemprego e falências, inclusive em nosso país.

A queda da receita das companhias aéreas vem gerando a retirada de aeronaves de linha e causando reflexos na manutenção o que afasta, ainda mais, passageiros em potencial.

Por outro lado, a segurança nos aeroportos passou a se fazer mais intensa, ( o que não quer dizer, necessariamente, mais eficaz ) objetivando, principalmente, o controle da bagagem pessoal do viajante.

Como que por osmose a preocupação por segurança espraiou-se por diversos setores empresariais, e sociais e veio, em última análise atingir o cidadão comum.

No que se refere ao Brasil, há indicativos de que , após o 11 de Setembro, grupos multinacionais de avaliação e gerenciamento de riscos receberam substancial soma de recursos o que evidencia a maximização de suas atuações em nosso território. Um desses grupos teria faturado algo em torno de US$ Três milhões, no último ano, entre nós.

Em nosso país, se por um lado não existem indicações de que sejamos alvo para ações terroristas, por outro, a insegurança reinante nas grandes cidades, atingidas pelo constante aumento da criminalidade, incrementado pela falta de confiança nos órgãos responsáveis pela Segurança Pública, faz com que a intranqüilidade e o temor estejam instalados entre seus habitantes.

Como tive oportunidade de comentar, num jantar informal com empresários, em Bogotá na última semana, o momento é para profissionais. O sentimento de insegurança diante de situações adversas instalou-se de um modo geral, gerando em decorrência a necessidade de adoção de medidas específicas e aconselhamentos técnicos tendentes a neutralizar possíveis ofensores restabelecendo uma desejável normalidade.

O cidadão comum, constatou abruptamente a falácia da inexpugnabilidade do gigante americano e absorveu o sentimento de fragilidade que o acompanha diuturnamente. A sensação de falibilidade instalou-se no chamado inconsciente coletivo.

As empresas e os bons profissionais existentes na atividade pertinente à segurança, têm diante de si o desafio de aplicarem-se competentemente objetivando prover seus clientes, sejam eles empresas ou pessoas físicas, de condições tais que possam dar prosseguimento normal à suas vidas, com a tranqüilidade que apenas um quadro de pessoal eficiente e eficaz pode propiciar.

 

Roberto da Luz

é Consultor em Segurança, Analista de Informações, Delegado de Polícia no Rio de Janeiro - Apos., Instrutor da Academia de Polícia, Ex - Diretor de Operações da Guarda Municipal do Rio de Janeiro.