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Não existe barreira intransponível, ela apenas retarda ou dificulta a ação de um intruso. Toda barreira física pode ser ultrapassada, desde que haja determinação, tempo suficiente, ferramentas eficazes e habilidade no seu uso.
O planejador deve elaborar um sistema de barreiras em profundidade, aliando as barreiras físicas, eletrônicas e humanas, de tal forma, que o somatório dos tempos de retardo, de cada barreira, nos dê o resultado esperado, de modo que a detecção e a respectiva reação possam acontecer.
A força do sistema de segurança é medida através da aplicação de tensão no seu ponto mais fraco, por exemplo se tivermos uma corrente com fortes elos interligados e aplicarmos uma força superior a sua resistência, ela se romperá no seu elo mais fraco e exporá o sistema ao risco.
Ao redor do mundo, os negócios se vêem impactados por eventos previsíveis e imprevisíveis. Diariamente as empresas lutam por sobreviver e conquistar o mercado. Não necessariamente sobrevivem as mais fortes, mas sim as que conhecem suas vulnerabilidades e se preparam adequadamente.
Entre os diversos riscos, que devem ser diagnosticados, por um trabalho criterioso de um profissional especializado em segurança empresarial, temos a situação do seqüestro.
O crime de seqüestro está enquadrado, em termos jurídicos, no capítulo dos crimes contra a liberdade individual, ou seja, mediante o cárcere privado, restrinjo o direito de ir e vir da vítima. Na sua forma mais grave, o seqüestro é utilizado como forma e persuasão para a prática de extorsão, para que o criminoso obtenha vantagem. A Lei 8.072/90 de 25/jul/90 enquadrou esta modalidade criminosa na categoria de crimes hediondos, devido a sua violência. Agora a pessoa decide sobre os rumos de sua vida, desde detalhes básicos, como : o que vai vestir, o que e a que horas vai se alimentar, o que irá ver na televisão, se tiver vontade poderá ligar ou visitar um parente ou um amigo e de repente, a pessoa é cerceada de seus hábitos mais simples e não sabe qual será o desfecho da história. Esperamos sempre, que seja o melhor. A pessoa pode ficar dias com a mesma roupa, não tomar banho e não escovar os dentes, ficar sem se alimentar e dependendo do tipo de cativeiro, ficar em condições totalmente precárias, ou seja, os seqüestradores, definem toda e qualquer ação ou situação, em relação a vítima.
Quando ocorre um desastre, não importa sua magnitude, as funções críticas de uma empresa se vêem gravemente afetadas. O impacto sobre o negócio depende, de quão preparado está a empresa para responder a crise ou emergência.
A arte da guerra (Sun Tzu) nos ensina a não confiar na probabilidade de o inimigo não vir, mas na nossa presteza em recebê-lo, não há chance de ele não atacar, mas em vez disso, no fato de que tornamos nossa posição invulnerável.
As três metas fundamentais primárias de um plano de segurança, nas suas mais diversas facetas, são a proteção às vidas, proteção da propriedade e a restauração de atividades e operações normais.
Em relação aos tipos de seqüestradores que existem no Brasil, o fator motivacional é o dinheiro, ou seja, visam arrecadação de numerário.
O perfil do alvo em potencial geralmente é o do executivo de um grande grupo nacional, geralmente de empresas familiares. Com a entrada no mercado dos seqüestras dos grupos criminosos profissionais, este perfil pode sofrer mudanças, tendo em vista os objetivos dos seus autores.
Com o advento da violência urbana, devido ao aumento da criminalidade e o aumento da segurança em determinados segmentos de negócios (por exemplo, o setor bancário e o transporte rodoviário de cargas) houve uma mudança de foco e atuação dos marginais (por exemplo assaltantes de bancos se especializam em seqüestros amadores ou seqüestro de gerentes de banco), houve a banalização do seqüestro, chegando ao extremo do seqüestro relâmpago, onde o marginal não possui nenhuma estrutura e o objetivo do marginal são pequenas quantias roubadas do cartão magnético (conta corrente ou cartão de crédito).
Geralmente, para os seqüestros, os fatores riqueza, filosofia de pagamento, segurança (facilidade de acesso) e a proximidade com o alvo (maior será a mobilização para o pagamento do resgate) são os pontos de alavancagem para a seleção.
Já foram utilizadas várias estruturas como cativeiro (local onde a vítima permanece durante as negociações entre os criminosos e os representantes da vítima) : quartos construídos dentro de outro cômodo, quarto construído no subsolo, uma barraca de camping armada no campo ou dentro de um quarto, porta-mala de um carro, sauna de um quarto de motel, barraco em favela, gruta ou caverna, buraco feito no chão forrado com compensado e jornal ou sem nenhuma forração (sem nenhuma estrutura), caixote de madeira, obras de uma casa, casa em sítio, etc.
A vítima pode ficar vendada e acorrentada (braço e/ou perna), outras vezes pode ficar encapuçada.
A vítima pode ser agredida ou sofrer violência psíquica ou física (mutilação da orelha, dedo, etc.), sendo que isto pode ser gravado em fitas de vídeo cassete, enviadas para a família, para que as negociações sejam encerradas rapidamente e o valor do resgate seja pago ou para que a vítima forneça mais detalhes sobre a estrutura da empresa, em relação ao seqüestro, se houver e quem efetivamente vai autorizar o pagamento.
Normalmente, no cativeiro, é utilizada iluminação artificial para que a vítima do seqüestro perca a noção do tempo, aumentando sua angústia.
Às vezes é instalado um sistema de som que toca música sem parar, isto não permite ou dificulta que a vítima escute algo que possa ajudar nas investigações posteriores; caso a vítima entre em crise de histeria e grite, também não será ouvida, além do mais a poluição sonora provoca distúrbios neurológicos, resultando em cansaço e apatia.
Diante do universo de alvos em potencial, o grupo escolhe alguns nomes, que sofrem uma análise preliminar, com o intuito de se avaliar a melhor opção.
O levantamento da rotina do alvo engloba basicamente horários de entrada e saída, tanto da residência como do trabalho ou outros locais usualmente freqüentados, itinerários, condutas de seus empregados. São feitos testes de conduta para verificar as respectivas reações, como por exemplo simular um acidente de trânsito, simular uma pessoa pedindo esmola, se passar por um ambulante, etc. Além da equipe que seguirá o executivo para levantar suas rotinas, existem os observadores (por exemplo no caso do publicitário Luiz Sales, era um vendedor de redes, que tinha como ponto de venda a esquina da residência do seqüestrado, pode ser um vendedor de "cachorro-quente", etc).
A equipe de segurança deve estar adestrada e ser reciclada periodicamente, para detectar esta situação e poder impor medidas de contra-inteligência.
Além dos levantamentos acima, serão feitos telefonemas simulando emergências, para analisar as diversas condutas adotadas, bem como várias pessoas próximas ao executivo, serão abordadas, cujo fim será a consecução de pequenas peças, que reunidas após uma análise e manipulação dos dados formará o dossiê do alvo.
Evite dar publicidade a respeito de seu status de vida. Verifique periodicamente (antecedentes criminais, referências trabalhistas e residências e teste psicotécnico) todas as pessoas ao seu redor, por exemplo para um evento como um coquetel, todos os prestadores contratados, devem passar pelo check-in da segurança.
Esta pesquisa deve ser refeita anualmente, pois os empregados e serviçais que trabalham por longos períodos, podem, por vários motivos, praticar algum crime, e caso esta pesquisa não seja feita, ninguém saberá.
Seus empregados devem ser orientados em como proceder no caso de telefonemas de emergência e para quem e que informações podem ser repassadas.
Sua residência e local de trabalho devem possuir sistemas integrados de segurança adequados, a partir de uma análise de risco, um projeto tático e técnico desenvolvido por um profissional de segurança empresarial.
Devem haver sistemas de busca e varredura periódica nos aparelhos telefônicos, linhas telefônicas e ambientes, tanto da empresa (sala do executivo, sala de reuniões, etc) como na residência, para evitar a instalação de um "bug" cujo objetivo seria levantar informações para o dossiê.
Podemos afirmar que, quanto maior for o grau de segurança que o alvo possuir, maiores serão os empecilhos para que o grupo de seqüestradores possa determinar a sua tática de ação, podendo até optar pela desistência de realizar a operação. Temos de raciocinar que, quanto maior for a dificuldade, menor será a chance de haver um seqüestro, pois os marginais sempre optarão por um alvo mais fácil. Caso o VIP não utilize nenhuma escolta, fica muito fácil a ação dos seqüestradores, tendo em vista o alto número de sequestros-relâmpagos realizados, cujas vítimas são pessoas de alto poder aquisitivo.
Considera-se um VIP sem segurança, quando também sua escolta pessoal é dispensada por estar próximo ao final do dia ou do expediente ou por estar próximo ao local da residência. Conforme já foi comentado, os criminosos estudarão suas vulnerabilidades e agirão no momento da sua fraqueza sendo que não é possível fazer meia-segurança, pois não é possível precisar o momento exato de um seqüestro, esta carta é dos criminosos.
A estatística dos locais demonstra que a maior incidência é durante o trajeto residência-escritório-residência.
Os pontos críticos e/ou vulneráveis são ruas estreitas próximas de ruas de fluxo rápido, pontos de mudança de fluxo ou diminuição de velocidade, locais com tráfego pesado, túnel e curvas fechadas.
A tática mais usada para a emboscada é imobilizar o veículo da vítima, transferi-la para outro veículo (furgão ou porta-malas) amordaçada e encapuzada, às vezes anestesiada.
A segurança deve mapear todos os itinerários e saber quais são os pontos prováveis para um ataque. O motorista-executivo e demais agentes (ele pode ser ferido) devem passar por treinamento de direção defensiva e evasiva periodicamente No caso de uma suposta tentativa de seqüestro, o veículo rastreado por GPS, permite o acionamento do botão de emergência portátil e/ou comunicação via rádio / celular (sempre meios duplicados) e um pronto atendimento de uma equipe de pronta-resposta (até de helicóptero). Quando do ataque, os marginais trazem armamentos suficientes para deter a ação da polícia e da segurança. Os agentes devem praticar treinamento periódicos de defesa pessoal, armamento e tiro, deslocamento a pé (shopping, calçadão, etc) e com veículo, bem como de primeiro socorros, alguém pode ser ferido durante uma tentativa.
O veículo do VIP, familiares do VIP e da escolta devem possuir 04 portas, ar-condicionado, motor potente e devem ser blindados (o nível de blindagem deve estar compatível com o armamento utilizado pelo criminoso e o risco potencial ou real levantando), para retardar a ação criminosa e possibilitar uma fuga do local.
A negociação deve ser conduzida por um profissional, que conduzirá os trabalhos e separará os seqüestradores verdadeiros dos falsos (extorsão e estelionato com dados publicados na mídia), entre outras funções.
Assaltantes de São Paulo mudaram a forma de atuação no "seqüestro relâmpago", esticando-o, já está surgindo mais uma denominação , antes existiam o seqüestro profissional, amador, relâmpago e agora o "esticado", um meio termo entre o amador e o relâmpago para, em tese, ganhar mais dinheiro e correr menos risco. Em vez de saques em caixas eletrônicos com o cartão magnético de banco ou de crédito da vítima de assalto, os ladrões agora extorquem dinheiro das famílias dos seqüestrados e ficam com os reféns até o pagamento do resgate.A nova modalidade de crime já aparece nas estatísticas da polícia e é citada como responsável pelo aumento das ocorrências.
Marcy Jose de Campos Verde, CPP - É consultor sênior em segurança empresarial e diretor da MRM. - Website - www.marcy.com.br E-mail - falecom@marcy.com.br