Indústria brasileira vende máscara de proteção aos Estados Unidos

 
ALEXANDRE HISAYASU
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Eugênio Goulart

 
MÁSCARAS serão usadas pelos soldados americanos
que foram enviados ao Afeganistão

 

Produto também bloqueia a ação do bacilo antraz

Uma empresa paulistana é uma das grandes exportadoras de máscaras de proteção contra gases tóxicos para os Estados Unidos. A Air Safety, com sede em Santo Amaro, na Zona Sul, fechou um contrato de venda de 150 mil unidades para o país do modelo Full Face, que bloqueia a ação da bactéria antraz. O produto será distribuído principalmente aos soldados que estão no Afeganistão.

De acordo com José Antônio Puppio, presidente da empresa, após os atentados terroristas, as Forças Armadas dos EUA se tornaram um dos maiores clientes da Air Safety. “Fabricamos máscaras de proteção que, geralmente, são usados em indústrias químicas, farmacêuticas e mineradoras. Após os ataques, passamos a intensificar as vendas para países vítimas de ações terroristas”.

A Air Safety tem de entregar as 150 mil máscaras em até seis meses. Semana passada, o primeiro lote de 20 mil unidades foi enviado aos EUA. Lá, segundo Puppio, a população também está comprando máscaras da empresa. Enquanto o americano tem de desembolsar US$ 700 por uma máscara Full Face, o mesmo produto é vendido por R$ 300 no Brasil. A empresa também exporta máscaras de proteção para a África do Sul, França, Inglaterra, Israel, além da América do Sul. “Estamos no limite da produção, de 200 mil unidades por mês. Temos 200 funcionários trabalhando 24 horas por dia”.

 

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Sintomas

Em caso de contaminação pelo antraz, os primeiros sintomas apresentados pelo doente são parecidos com uma virose. “A pessoa infectada tem febre e tosse muito. O último estágio pode chegar a uma infecção generalizada”, explicou o médico infectologista Sérgio Cimerman, do Hospital Emílio Ribas. Ele acrescentou que casos fatais são raríssimos em todo o mundo, sendo que a última epidemia aconteceu em 1979, na antiga União Soviética, com 79 mortes registradas.

Segundo o médico, existe tratamento para 80% dos casos, se a doença for diagnosticada rapidamente. Se alguém encontrar algum objeto suspeito em casa ou na rua, ou um tipo de pó branco não-identificado, o médico Luiz Jacinto da Silva, diretor da Sucen (Superintendência de Controle de Endemias), recomenda que a polícia seja chamada.

 

ALEXANDRE HISAYASU
Diário de São Paulo