Segurança Corporativa

Carlos Paiva

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Um dos pontos mais vulneráveis para a segurança corporativa, entendendo-se essa como o conjunto de conhecimentos, meios, habilidades e competências para a segurança física, patrimonial, ocupacional e de tecnologia da informação, está no que chamamos de "situações de emergência".

Observa-se com freqüência, que a antecipação de dados e fatos, bem como, sua análise e estruturação em medidas eficientes, eficazes e efetivas, não representa um conjunto de meios usado como prevenção e reação a acontecimentos indesejados e/ou inesperados. Quase sempre, a ação é reativa, após o fato e com altas doses de emotividade e esforço pessoal que acabam por gerar o desgaste da segurança como instituição.

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A segurança corporativa exige a construção de "cenários prospectivos", com alta influência de pesquisa e busca constante a possibilidades, e não necessariamente "fatos adversos" já ocorridos e descritos. As ameaças as atividades econômicas, possuem um imenso espectro, variando de ações internas as externas, podendo até combinarem-se as duas em determinados modelos.

O cenário econômico e financeiro mundial desde a década de noventa, tem levado os economistas à exaustão. Os acontecimentos de 11 de setembro, trazem a tona, as teorias de Lord Keynes para a economia pública nos EUA, e por força dos desdobramentos exigem seu entendimento e em que ponto vão inferir com as economias internas de outros países e atuar no conjunto do comércio internacional.

Pontuando isso para a segurança, podemos antever que forçosamente acontecerão um conjunto de medidas nas empresas que irão alterar seus cenários de risco. Um corte na força-de-trabalho visando ajustes estruturais ligados à produção e comercialização, pode significar o início de um avassalador processo interno de problemas para a segurança corporativa.

Situações de emergência somente podem ser enfrentadas mediante uma visão e uma postura proativa, que privilegie o fato e suas conseqüências, - antes que ele aconteça...- !

Outro fato preocupante é que a resposta a essas situações, quase sempre se faz de forma pessoal, ignorando-se o caráter coletivo de responsabilidades na empresa. Isso ocorre onde as ações de resposta, não estão documentadas e com o nível de responsabilidade/execução sem definição, levando que durante o cenário de crise, alguns cheguem até a perguntarem-se " eu? por que? ". Uma simples supressão de serviços públicos, pode causar paralisação ou danos à produção, e aí pergunta-se: quais as medidas a serem adotadas nessa hora e por quem? Existe um comitê para gerenciamento de crise, ou apenas basta procurar um "culpado" pela supressão?

Num feriado prolongado ou durante a madrugada, como contatar nossos colaboradores? Como localizar nessas horas profissionais de determinadas áreas que sejam necessários para fazer frente as emergências, que podem variar de equipes de manutenção elétrica, passando por retirada de entulhos ou solda especializada em dutos sob vazamento? E nos prédios onde está o "coração" da empresa? dados, registros e informações podem ser recuperados externamente? nossos funcionários podem ser mobilizados e assumirem suas funções em outro local, se nossa área de trabalho estiver impedida para um acesso coletivo?

As situações de emergência, exigem a antecipação em seu estudo e isso representa uma mudança de comportamento. Ou seja, ao invés de estarmos preparados para agir após o imprevisto, devemos configurar mentalmente o imprevisto, com seus reflexos e problemas e proceder ao estudo e adequação das intervenções e procedimentos necessários. Além disso, o fator corretivo e a retomada de controle em situações de emergência serão mais competentes, se houver a concepção de que "nunca aconteceu..mas pode acontecer ! " .

Não há como deixar de registrar que a prevenção não pode constituir-se num novo entrave para a atividade empresarial, tampouco, deixar que a preocupação fuja do racional e se deixe embalar pelo imaginário coletivo, levando a paranóia e gerando o medo. A segurança corporativa deve ser uma construção de interesses comuns, coletivos e difusos em toda a sua amplitude, e isso impõe a competência de gestão no processo.

 

Carlos Paiva

O autor, é especialista em segurança empresarial. Fundador da ISA ( International Security Association) e da ABRASE (Associação Brasileira de Segurança Empresarial). Professor e conferencista na área de segurança corporativa.

E-mail: paiva@pointtrade.com