Central de Segurança: Posição Estratégica

 

 

 

Antonio Celso Ríbeiro Brasiliano

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Conceito da Central de Segurança

        A central de segurança é o cérebro e o centro nervoso de qualquer organização. A central otimiza os recursos empregados, além de coordenar de forma ágil e em tempo real as contingências na edificação.

        Por ser considerada uma peça fundamental é que resolvemos escrever sobre sua localização física, dentro da edificação. Nossa decisão em escrever um artigo sobre a localização das centrais de segurança, está embasada que na maior parte dos edifícios e empresas, existentes hoje no Brasil, o espaço das centrais sempre estão relegadas a um segundo plano, localizadas em pontos considerados não estratégicos e por conseguinte inseguros.

        As organizações acabam esquecendo que os sistemas implantados por si só não garantem a segurança da central. É um detalhe que põe em risco todo um investimento, derrubando por terra sistemas sofisticados.

        A central de segurança mantém em constante vigilância os pontos críticos levantados, possibilitando gerenciar e comandar as situações críticas de modo direto. As reações são automatizadas, reduzindo desta forma o erro humano. Os impactos são reduzidos, tendo como conseqüência direta a preservação do patrimônio e vidas humanas.

        A operacionalidade da Central depende basicamente de dois fatores:

        -a rapidez da identificação da anormalidade;

        -a reação rápida e eficaz da equipe e coordenação.

        A identificação rápida da anormalidade está alicerçada, especificamente nos meios que a central dispõe. Há a necessidade do operador possuir a visão globalizada dos pontos críticos de todo o complexo monitorado.

        A resposta dependerá do treinamento e principalmente no acionamento das equipes. O acionamento e treinamento serão mais eficazes quando forem direcionados ao ponto exato da área sinistrado.

        A central de segurança monitora todos os tipos de sensores, detectores, alarmes e circuito fechado de televisão nas instalações, além de coordenar toda a comunicação.

        A central de segurança,embora separada da central de utilidade predial, deve falar com a mesma em caso de alarme. Integrada com a central de utilidades predial, a central de segurança age nas contingências da seguinte forma:

        -desligamento do ar condicionado;

        -fechamento dos dampers em setores considerados críticos;

        -pressurização das escadas de emergência;

        -iluminação das rotas de fuga;

        -acionamento do sistema de iluminação de emergência/geradores;

        -acionamento dos elevadores para o pavimento térreo.

        Para tanto os meios para operacionalizar a central são :

        -coordenação via microprocessador,evidenciando as vantagens:

        -maior confiabilidade;

        -facilidade para expansões e alterações;

        -incorporações de novas funções.

        Os terminais de vídeo apresentam nas telas as plantas baixas em diferentes níveis, estado dos pontos controlados, ordens especiais a serem cumpridas, rotas de acesso ao local alarmado, histórico de eventos.

        Dentro deste enfoque a central tem e deve ser olhada sob uma ótica diferenciada, ou seja a central deve ser encarada como um castelo medieval, e a ponte elevadiça seu acesso. Fica claro que na queda da ponte todas as defesas se anulam automaticamente, inviabilizando qualquer tipo de sistema. Podemos citar como exemplo a explosão do World Trade Center de Nova Iorque, onde a central de segurança foi simplesmente anulada, de forma inconteste, através de colocação de um carro bomba debaixo de sua estrutura, fazendo com que nenhum tipo de sistema entrasse em operação.É um exemplo típico de má localização e que hoje, fez com que a mentalidade dos engenheiros, arquitetos e incorporadores mudasse radicalmente no que tange a localização da central de segurança.

Localização Mais Comum das Centrais de Segurança

        O local das centrais de segurança deve ser de difícil acesso e com proteção especial. A entrada da central deve ser controlada e restrita.

        Infelizmente isto não ocorre, pois a maior parte das centrais de segurança foi adaptada a prédios já existentes, nos quais não houve a preocupação de segurança. A maioria das centrais estão localizadas em locais de fluxo intenso de pessoas e veículo, tais como sub-solos, mezaninos e em portarias.

        Outro ponto comum e de insegurança é que a maior parte das centrais de segurança está junta também das centrais de utilidades prediais. A junção pode economizar espaço físico da incorporação, mas deixa extremamente vulnerável a questão do acesso. Numa central de utilidades prediais os respectivos sistemas de multifunção, muita gente deve e tem de ter acesso. Por esta razão a autonomia da central de segurança se torna, sem dúvida um item de suma importância.

        Para comprovar a insegurança das centrais de segurança, passamos em seguida um resultado de uma auditoria, realizada pela Brasiliano & Associados, no ano de 1995 e 1996, sobre as seguintes condições de segurança:

        - localização das centrais;

        - tipos controle de acesso;

        - segurança contra fogo;

        - Central de utilidade junto com a de segurança;

        - fornecimento de energia elétrica;

        - especificações construtivas;

        - Central monitorada por outra/terceirizada

        Foram auditadas 75 centraus de empresas como instituições financeiras, condomínios empresariais, indústrias de grande e médio porte e de incorporações novas ainda nas plantas.

        A metodologia empregada foi a da visita in loco, verificando os tópicos acima descritos.

        O resultado foi o seguinte:

        1.Localização das Centrais de Segurança:

        64% localizadas em sub-solos e próximos de portarias

        28% localizadas em mezaninos de condomínios empresariais

        08% localizadas em segurança

         2.Controle de Acesso:

        71% não utilizam controle de acesso automatizado

        12% utilização de sistemas semi-automáticos

        17% utilizam sistemas automáticos de acesso

        3.Segurança Contra Fogo:

        80% não possuem sistema de sensoriamento contra o fogo

        4.Central de Segurança junto com Central de Utilidade:

        96% das Centrais de segurança estão juntas com centrais de Utilidades

        4% são só Centrais de Segurança

        5.Fornecimento de Energia Elétrica:

        88% das centrais aproveitaram rede elétrica já existente, não possuindo blindagem à prova de fogo e gases.

        6.Especificações Construtivas:

        92% das Centrais não possuem especificações técnicas construtivas adequadas, tais como paredes F-90 contra fogo, portas blindadas de acesso, entre outras.

        7.Central Back-Up:

        96% das centrais não possui back-up com uma empresa terceirizada

        Podemos então deduzir que uma grande parte das empresas com centrais de segurança, embora estejam com sistemas sofisticados, possuem grande vulnerabilidade, pois seu centro nervoso encontra-se desprotegido. A tática hoje dos marginais é tentar neutralizar as centrais de segurança, pois assim fazendo, conseguem dominar por completo a área a ser atacada.

Conclusão a Respeito da Auditoria

        Em função dos levantamentos efetuados, a conclusão que chegamos é a pouca preocupação com o assunto "Segurança da Central". A falta de cultura de segurança, mesmo de empresários, e a falta de especialistas capacitados e dedicados exclusivamente ao assunto é marcante.

        O exemplo mais vivo que temos é o já citado World Trade Center de Nova Iorque, que era considerado a Edificação mais segura e moderna, tudo era gerenciado e controlado a partir da central de segurança.O WTC - Nova Iorque possuía sua central acima de um dos pisos de estacionamento, onde este era terceirizado, pago. Ou seja, não havia controle efetivo de quem entra ou sai, através de um sistema de identificação.

        O terrorista sabedor desta deficiência colocou seu carro bomba logo abaixo da central de segurança. A carga de explosivos foi tão grande que simplesmente destruiu a central e mais dois pavimentos.

        Simplesmente nenhum tipo de sistema veio a funcionar, tanto é que os condôminos dos andares superiores ficaram sem saber o que tinha acontecido. O estrago só não foi maior porque o incêndio não ocorreu, caso contrário o número de mortes seria catastrófico.

        O objetivo do terrorista foi alcançado, quando este ameaçou a integridade americana de ser uma nação inexpugnável a atos anti-social. O ataque foi considerado cirúrgico, no ponto sensível do empreendimento. Podemos considerar como erro estratégico a central estar localizada num ponto onde o acesso não podia ser controlado, ficando desta forma vulnerável a um ataque desta envergadura.

A Central de Segurança Ideal

        Podemos então concluir que a Central de Segurança tem de possuir um alto grau de criticidade no que tange a sua localização. Dentro deste enfoque, podemos listar alguns tópicos que consideramos mínimos e básicos para que uma Central seja considerada segura. São eles:

        * Não instalar a central em lugares que propiciem aglomeração, fluxo de pessoas e veículos, tais como portarias, sub-solos de garagens, estacionamentos terceirizados, entre outras;

        * Não instalar a central abaixo do nível do solo, tendo em vista o risco de inundação. O ideal é implantar em andares acima do pavimento térreo;

        * Ter facilidade para instalação de linhas telefônicas;

        * Dispor de abastecimento de energia elétrica seguro, sem a sem a conveniência de cabos energizados de proteção ao fogo;

        * Preocupar-se com o abastecimento de energia alternativa, utilizando equipamento independente;

        * Dificultar o acesso a central de segurança, instalando uma série de barreiras, cuja finalidade é o controle rigoroso das pessoas que necessitem acessar a Central;

        * Caso haja janelas, reforçar com grades as dependências da Central, independente do pavimento que esteja instalada, inibindo assim possíveis agressões;

        * Exigir quando da construção paredes reforçadas de alvenaria ou concreto, do padrão F-90, portas corta fogo, isolamento na passagem de cabos, fechamento automático de "dampers" de ar condicionado, sistemas automáticos de extinção de incêndio;

        * Descentralizar a central de segurança e de utilidade predial, considerando que, os sistemas, tanto os de segurança como os de supervisão predial, atuam em áreas distintas e que dificilmente poderiam ser operadas por um único individuo que tivesse total domínio de todas as disciplinas envolvidas. Existe a necessidade de que os diversos centros de controle, dos referidos sistemas, estejam concentrados em diferentes centrais. Existe também o fato de que alguns destes sistemas trabalharão com informações, caso dos alarmes de incêndio e intrusão, vitais para o funcionamento da Edificação e desta forma necessitam ter prioridade sobre os demais, o que reforça o conceito da necessidade de descentralizar os sistemas. Entretanto, existem operações comuns entre os sistemas, de maneira que estes podem interagir entre si e de certa forma integrar-se em tarefas afins, criando o conceito de sinergia, onde a soma das possibilidades dos sistemas trabalhando de forma integrada é superior a mera soma das possibilidades de cada sistema trabalhando de forma isolada.

        * Fazer "Back-Up" da Central de Segurança através de uma empresa, de confiança, terceirizada, onde teríamos os meios duplicados, além de monitorar a própria central. Pode-se ter também o caso da central inteira ser terceirizada, uma forma de minimizar o risco e otimizar a relação custo x benefício.

Conclusão Final

        O ponto crucial para implementar a segurança da própria central é a conscientização de que não se pode esquecer o cérebro de todo o sistema. Temos que visualizar a central como sendo a ponte elevadiça do castelo, quando baixada todas as defesas caem por terra. A localização e seu acesso tem de ser restrito, sendo estratégico para o empreendimento sua sobrevivência. A fim de que possamos ter uma noção clara e concisa da posição da central de segurança citamos Lincoln:

        "QUANDO O ESTRATEGISTA ERRA, O SOLDADO MORRE".

Antonio Celso Ribeiro Brasiliano - graduado em Administração de Empresas, ex-oficial do Exército Brasileiro, graduado pela Academia Militar das Agulhas Negras, Especializado em Sistemas de Segurança na Espanha, Diretor Executivo da Brasiliano & Associados Consultoria em Segurança, Coordenador Técnico do Caderno de Segurança Empresarial da Revista Proteger. - info@brasiliano.com.br