Blindagem - A Proteção não é cara e sim valiosa

linha.gif (1525 bytes)

O crescimento do mercado de blindagem fez com que a escolha da blindagem ideal de um automóvel se tornasse cada vez mais complicada. A tecnologia aumenta e, na mesma proporção, o nível de violência e agressão aos automóveis blindados, em decorrência do sucateamento da segurança. Com mais de 14 mil carros blindados circulando pelo país, o Brasil já corresponde ao primeiro lugar em blindagem nos níveis II e III-A. Com fornecimento aproximado de mais de 400 veículos por mês, o Brasil superou o México (170 veículos/mês) e a Colômbia (150 veículos/mês) juntos. Pesquisa realizada pelo Instituto Data Folha, realizado em 153 cidades brasileiras, demonstra que a violência é a principal preocupação da população brasileira. Dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo demonstram que 62% dos sequestros-relâmpago da Capital Paulista ocorrem no trânsito.

A forte demanda do setor e o mercado aquecido abrem oportunidade para empresas sérias e àquelas que se intitulam "blindadoras" (que só pensam em tirar vantagem da situação), deixando de lado o principal objetivo do processo: a proteção. Com aproximadamente 50 empresas de blindagem no mercado, bem como em todo o setor, que cresce muito rapidamente, encontramos empresas que só têm um objetivo: lucrar. Não existe blindagem barata. Existe o melhor custo-benefício em uma negociação. Há ofertas de blindagens com o preço como diferencial. Preços promocionais, blindagens parciais e até venda de "kits" ("compre o seu kit e faça você mesmo a blindagem de seu veículo") podem ser encontrados em anúncios. Fica difícil para quem não tem conhecimento decidir, na hora de comprar, qual a proteção correta para o veículo. Mas se o objetivo é proteger vidas, a busca do menor preço não pode substituir a busca pela qualidade, por meio do entendimento do processo.

Qualidade da blindagem

A blindagem é processo artesanal. Por mais tecnologia que seja empregada nas mantas de proteção, painéis de aço e vidros especiais, exige-se a perícia de um artesão, com o perfeito encaixe entre os materiais utilizados. Um serviço executado por quem não detém o conceito de execução e supervisão constante na linha de produção, faz com que o emprego de todos os materiais de alta qualidade seja desperdiçado. O propósito da blindagem é o de assegurar a proteção prevista nas normas técnicas, preservando as características do veículo. De um lado, basta que a vulnerabilidade tenha o diâmetro de um projétil para que a proteção deixe de existir. De outro, é preciso assegurar o mesmo grau de conforto e acabamento do veículo original. O segundo lado da questão pode ser aferido pelo proprietário, através da sua própria percepção, de informações de amigos e das garantias e assistência oferecidas. O primeiro, o da confiabilidade quanto ao nível de proteção assegurado, pode requerer o auxílio de profissionais de segurança com conhecimento de blindagem.

Tento dizer que tamanho da empresa não é sinônimo de qualidade. Muitas empresas grandes têm problemas seríssimos quanto ao nível de proteção do habitáculo (bem como as empresas de fundo de quintal). Nome, realmente, transmite credibilidade. Porém ser o maior não significa ser o melhor. Por isso, é preciso prestar atenção! Já vi muitos consumidores iludidos e enganados por falsos testemunhos e processos mal gerenciados.

Normas para proteção

Para melhorar o segmento, recentemente, em 15 de abril de 2002, foi fundada a Associação Nacional para Difusão Tecnológica e Normatização de Proteções Balísticas (ANDB), entidade esta com várias câmaras setoriais. A entidade é sociedade de direito privado, sem fins lucrativos, de âmbito nacional e internacional, que tem por finalidade principal o aprimoramento tecnológico dos produtos destinados à proteção balística e das normas regulamentadoras dos diversos setores envolvidos no segmento.
Entre os objetivos da associação podem ser citados: orientação aos usuários, formação de grupos de estudo para aperfeiçoamento da segurança dos usuários (orientação dos associados para evitar ou dirimir conflitos entre os usuários, intermediários e fabricantes), promoção da homogeneização de normatização e técnica dos produtos balísticos (através de criação de departamento específico, montagem de biblioteca, realização de estudos e levantamentos, realização de encontros, congressos e simpósios e da divulgação de normas internacionais e nacionais da legislação brasileira sobre proteção balística). Além disso, a entidade quer promover a uniformização normativa entre os diversos segmentos de associados, integrar todos os segmentos às autoridades públicas, em seus diversos níveis, de modo a fortalecer o setor perante a comunidade e promover a aplicação entre os fabricantes de produtos balísticos das "técnicas de qualidade total".

Uma das características inusitadas da ANDB é a criação de "Câmaras Setoriais" para categorias específicas do segmento permitindo, assim, aglutinar diferentes atividades e interesses. Inicialmente, serão criadas as seguintes câmaras setoriais: usuários, consultores de segurança, comerciantes e locadoras de veículos blindados, operadores de transporte de valores, fabricantes/fornecedores de vidros blindados, matérias-primas para vidros blindados e painéis balísticos e matérias-primas para os painéis. Além de blindadoras das seguintes categorias de veículos: transporte de valores, transporte de cargas e transporte de passageiros, blindagens arquitetônicas, blindagem de uso pessoal e fabricantes de armas e munições. No total, são 14 Câmaras Setoriais distintas. Sempre que necessário outras câmaras poderão ser criadas.

Durante a Assembléia de 15 de Abril, foram eleitos os seguintes membros para seu Conselho de Administração:
Presidente: Gerson Branco
1º Vice Presidente: Edgard Salin
2º Vice-Presidente: Ricardo Leonel Vieira
Secretário: Creso M. Zanotta
O Conselho Fiscal é composto por: André Bertin , Cristian Conde Antonio e Ivo Scatollini .

Critérios de escolha

Cautela, paciência e inúmeros procedimentos são requeridos na hora de adquirir um veículo blindado. Agir de maneira precipitada, pois sofreu uma tentativa de seqüestro ou assalto, poderá significar a realização de um péssimo negócio. Primeiramente, o usuário deve fazer uma pesquisa com pessoas que possuem carros blindados ou com pesquisas de mercado. Com as informações e pesquisas em mãos, em visita às blindadoras, questione sobre o tempo do processo de blindagem, se os prazos de entrega foram cumpridos, se o automóvel foi entregue em ordem, ou seja, vidros sem distorções, sem apresentar defeitos, se o acabamento ficou em perfeitas condições para que o veículo fique dentro das características originais (tanto na parte interna como na externa) e, finalmente, a ausência de barulhos.
Toda blindadora tem um engenheiro responsável pelo processo de proteção. Verifique se a blindadora fez testes balísticos em veículos já blindados e não somente em peças blindadas.
Cheque sempre se a fábrica tem o cuidado de separar peça a peça de cada veículo. Desconfie de empresas que garantirem 100% de eficiência em um processo de blindagem. Outro fator importante é assistência técnica. Carros blindados requerem atenção maior, não só no uso diário, como em sua limpeza e manutenção. É imprescindível que a assistência técnica seja eficiente em relação a vidros e solução de problemas (infiltração, delaminação e distorção de vidros, barulhos, forração, entre outros). Caso não tenha indicações de amigos, procure fazer uma pesquisa minuciosa de mercado e escolha empresa que lhe transmita segurança em todos os aspectos.

Peça para fazer uma visita à fábrica e verifique um habitáculo em fase de implementação. Questione todos os pontos sobre os quais tiver dúvidas. Faça um check list das áreas a serem protegidas. Defina o nível de proteção ideal para o seu caso. Lembre-se que carros com motorização mais baixa têm seu desempenho reduzido em função do acréscimo de peso, dificultando, por exemplo, a direção evasiva. O bom senso na escolha do carro é importante, pois existem modelos com grau de dificuldade maior para serem blindados.

Testes balísticos

O usuário não precisa se impressionar com testes balísticos feitos pelas fábricas. Deve fazer uma relação detalhada de todos os materiais a serem implementados no veículo. Exemplo: adesivos e colas, espessura e modelo do aço a ser utilizado nas colunas, mantas de proteção (quantas camadas, quem é o fabricante e se possui hidrorepelência, ou seja, se é a prova d'água). É preciso checar a espessura dos vidros a serem colocados e qual é o seu fabricante. Devem ser instalados somente produtos que possuam homologação das normas internacionais. Se o usuário optar por blindagem com novas tecnologias (overlap, inserto metálico e opcionais) é necessário ficar atento para que seu automóvel saia de acordo com a especificação técnica da proposta de blindagem. A fórmula matemática abaixo poderá auxiliar no entendimento da capacidade ideal de utilização de um automóvel blindado.

M = Capacidade máxima de carga
B = Peso da blindagem
P = Passageiros
C = Capacidade ideal de utilização

C = (M + P) - B

A capacidade ideal de utilização de um automóvel, sem o seu comprometimento, resulta do produto da somatória da capacidade máxima de carga do veículo, com o peso dos passageiros (usualmente transportados) diminuído o peso da blindagem a ser implementada. Mesmo transportando o máximo de passageiros e carga previstos pelo fabricante, a capacidade ideal de utilização não pode ser comprometida. Motor, peso e blindagem devem estar em harmonia. Em termos de tecnologia os níveis de blindagens e os cuidados para eliminação de GAPS (vãos entre um produto e outro), desde 1999, evoluíram muito. A forte demanda e a concorrência fizeram com que as empresas buscassem o aprimoramento do nível de proteção a ser ofertado aos seus clientes. Companhias com maior preocupação com segurança já utilizam o conceito BRV (Bullet Resistence of Vehicle). Esta sigla tem a finalidade de medir os materiais empregados na blindagem e sua resistência a tiros, como também o modo de implementação destes produtos no habitáculo do veículo.

Pontos vulneráveis

Uma porta blindada com um bom vidro e boa manta em sua parte opaca de nada vale se na hora da colocação destes produtos ficarem GAPS no carro inteiro (colunas A, B, C, espelhos retrovisores, teto, lanternas, caixas de roda, porta malas, etc). A norma BRV tem como objetivo principal a proteção de todos os possíveis pontos vulneráveis, tais como os frisos das portas e encontros de cristais com a lataria. Muito importante, também, é proteger o veículo contra disparos de arma de fogo em ângulos diferentes. Muitas empresas só trabalham com tiros em ângulos de 90º. Nos testes da norma BRV, os tiros são desferidos em ângulos diferentes: 45º. Se o carro não for protegido para estes disparos, certamente haverá transfixações nos cantos das portas, fechaduras, lanternas, colunas, assentamento de pára-brisas e vigia, etc.

Novas Tecnologias

Fora o conceito BRV, existem tecnologias que estão sendo utilizadas para evitar os famosos GAPS nos veículos:


Assentamento em berço de aço para pára-brisas e vigias: protege todos os cantos do pára-brisa e vigia pela parte interna do veículo


Vidro com inserto metálico: vidro insertado em aço balístico nas pontas dos vidros, com a finalidade de proteger as partes finas dos vidros


Overlap: moldura em aço para proteger a porta pelo lado interno em suas extremidades. Neste caso, os vidros utilizados são blindados sem proteção nas pontas


Overlap de Carroceria: coluna interna com intenção de proteger as partes finas dos vidros por dentro da carroceria

Cada tecnologia tem uma função de proteção, porém algumas apresentam maior peso nas portas, exigindo trabalho dobrado de funilaria, assim como de solda e pintura, retirando a originalidade do veículo.

Na hora de escolher o carro blindado, é indicado o processo que exija a menor manutenção posterior do veículo e, simultaneamente, que detenha o melhor acabamento, sem que se percam as características originais do veículo e, principalmente, a proteção. Cuidado com as muitas empresas que fazem funilaria de automóveis zero km na hora da implementação dos materiais de proteção. Na comercialização, os opcionais de segurança ficam à parte da proposta de proteção da maioria das blindadoras. Fique atento, pois fará diferença na hora do uso do produto.

Opcionais:
Proteção de capô
Proteção do porta-malas (veículos sedan)
Proteção de teto solar
Proteção do piso do veículo
Travas de segurança nas portas
Inserto metálico nos vidros
Overlap de portas
Overlap de carroceria
Rodas - proteção com aros de segurança de perfil baixo - proteção com aros de segurança perfil alto
Sirene - toque modelo policial - com viva voz externo - com two-way (possibilidade de falar e ouvir de dentro do carro).
Obs.: Algumas empresas vendem overlap, inserto metálico como opcionais. Desta forma, atenção na hora de concluir uma negociação. É importante também pedir detalhamento minucioso de todos os opcionais e de toda área a ser protegida.

Etapas do processo de blindagem


Recebimento do veículo para
posteriorlimpeza e verificação de avarias


Desmontagem do veículo,com colocação
das peças em local separado


Parte opaca


Parte cristal


Verificação do habitáculo: conceito de
blindagem,supervisão e eliminação de GAPs


Montagem e acabamento


Verificação da parte elétrica, mecânica,
resets dos airbags e sistema eletrônico


Teste de água

Veículos semi-novos e usados:

Detalhes que fazem a diferença na hora da compra de um veículo semi-novo:

Certifique-se da procedência do veículo
Verifique se o veículo não foi batido e submetido a serviços de funilaria;
Verifique se a parte mecânica e elétrica está em perfeitas condições;
Verifique quem foi o antigo proprietário.
Ex.: Proprietários famosos, tais como empresários, políticos e promotores de justiça, podem representar um sério problema, pois são visados pelos marginais que, muitas vezes, desconhecem que o veículo de sua "vítima" foi substituído por um novo, podendo você figurar como "vítima do acaso".

Prefira os veículos com certificação de empresas sérias. Certifique-se se a blindadora ainda existe, pois é comum as empresas de blindagem abrirem e fecharem. Cheque o nível de blindagem do veículo e a respectiva proposta de compra do automóvel, bem como a sua procedência. Apesar das lojas não serem responsáveis pela blindagem das blindadoras, elas são co-responsáveis na revenda. Na hora da compra de um usado, se ele não possuir certificado de blindagem, nota fiscal ou fotos descriminativas de onde o carro foi blindado, peça a desmontagem e acompanhe o processo para não ser enganado.

É comum blindadoras cortarem as colunas estruturais do veículo, ignorando completamente os conceitos de engenharia automobilística e condição estrutural automotiva. Além de o veículo ficar mal blindado, em caso de acidentes, o automóvel não terá condição estrutural automotiva para proteger seus ocupantes. Outra preocupação é o estado das mantas de proteção. Se o serviço não for bem feito e as mantas não tiverem hidrorrepelência, o material de proteção ficará comprometido. Preste muita atenção nas áreas dos vidros, pois é muito comum, com o decorrer do tempo, o surgimento de delaminações ou trincas. Se o veículo tiver mais de dois anos, é importante lembrar que você estará adquirindo um veículo sem garantia, fora outros problemas tais como: mecanismos de portas, máquinas de vidros e até mesmo as condições gerais do veículo.

Variações de pesos de um vidro:

Vidro original do veículo = 600 g (aproximadamente)
Original com suporte de vidro = 1.200 g
Vidro de porta blindado = 12 kg (em média)

É muito importante que os materiais usados nos suportes de máquinas de vidros sejam reforçados e retrabalhados. A grande maioria das blindadoras utiliza as peças originais dos veículos que, muitas vezes, requerem manutenção constante, pois as peças não foram projetadas para aquele peso, comprometendo o seu uso e a segurança dos automóveis. Conheço casos em que na hora da verificação dos mecanismos das portas, o suporte plástico original continha durepoxi em cima da peça. Este tipo de conduta é inadmissível, pois compromete a segurança do usuário. Na dúvida, não compre uma falsa impressão de segurança. Carros mal feitos, além de não protegerem, acarretam manutenção constante e são dificílimos para revenda.

Saber usar

É importantíssimo saber como usar um veículo blindado, não só em caso de emergência (direção evasiva e defensiva), como também em sua manutenção e limpeza. Para que o usuário possa extrair o máximo do produto, sem sofrer com manutenção desnecessária, elaboramos um guia do usuário, que está disponível na Internet, na página www.centraldeblindados.com.br, na sessão de dicas.

Normas internacionais:

Existem vários laboratórios que testam os materiais a serem implementados nos veículos. Cada laboratório utiliza uma norma técnica específica para seguir a realização de seus testes balísticos. Os principais laboratórios internacionais são: UL (Under Writers Laboratories of America), NIJ (National Institute of Justice), Beschussant Ulm, CEN (Committee European de Normalisation).

Níveis de blindagem:

Nível II - Norma NIJ 0108.01
Nível III - A - Norma NIJ 0108.01
Nível B 4 - Norma DIN - EM 1063 BR 4 NS
Nível III - NIJ - Norma NIJ 0108.01
Espessura dos vidros com policarbonato:

Nível II = 16,5 a 19 mm
Nível III A = 21 mm
Nível B 4 = 21,8 a 26 mm
Nível III = 39 a 45 mm (aproximadamente)

Grau de proteção

Lembre-se que a possibilidade de estar preso em um congestionamento é muito grande. As normas internacionais são claras: tiros em um mesmo local podem transfixar. Assim, quanto maior for à espessura do vidro maior é o grau de proteção. É muito importante que o veículo esteja sempre em movimento para que não haja reincidência de tiros nos pontos já alvejados. É impossível saber que tipo de armamento e munição os meliantes estarão utilizando. Assim, é indicado contar com o grau de proteção maior, devido ao crescente nível de armamento.

Um caso real, muito difundido nos meios de comunicação, foi o da tentativa de seqüestro dos filhos do empresário Paulo Leman. Houve vários tiros concentrados, pois o veículo ficou completamente parado na abordagem dos meliantes. O nível de proteção era NIJ II, que ao ser alvejado com tiros concentrados no mesmo local, transfixou e atingiu o motorista no braço. O tiro poderia ter sido fatal e de nada adiantaria a proteção. O motorista deveria ter-se evadido do local antes dos disparos dos tiros concentrados. Exemplificando outra situação, notoriamente divulgada foi a do prefeito da cidade de Santo André. O mau uso do veículo blindado ficou evidente. Se tomadas as devidas precauções, o prefeito estaria vivo, uma vez que o veículo era bem protegido para a proporção do crime. Com o aumento constante das abordagens cotidianas, para roubos, furtos e sequestros, é de suma importância que os usuários saibam até que nível de armamento seu carro suporta, bem como, terem noção de direção evasiva e defensiva. Vale frisar que mais de 80% dos crimes ocorrem porque as vítimas estão desatentas ou distraídas. A ocasião faz o ladrão!

Marcelo Carneiro - Diretor-geral da Central Brasileira de Blindados e Segurança - Consultor de Segurança com especialização em Proteção Balística e Telecomunicações.

Artigo publicado no Jornal da Segurança - www.jseg.net