GERENCIAMENTO DE CRISES NA SEGURANÇA EMPRESARIAL
Um novo papel para os profissionais de segurança

Carlos Paiva (*)

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                                          "Antecipação - Cenários - Inteligência", esse é o trinômio que vai diferenciar os profissionais de segurança nas corporações. Uma mudança radical nos conceitos até então vigentes de prevenção reativa e de relatórios quase que sempre convertidos em pedidos de materiais e serviços, e que deverão ser substituídos por um "processo" de segurança, com atores mais envolvidos e responsabilizados diretamente por suas ações e/ou omissões. 

                                           Crises  nos mais variados incidentes atingem as empresas, e quase sempre a "surpresa" com que se revestem , causam expansão dos danos e aumento dos prejuízos. Medidas de controle antecipativo, de planificação para as contingências, do estudo de cenários de risco, e do uso da Inteligência em Segurança Empresarial, podem minimizar e em alguns casos, reverter situações indesejáveis, já que o conceito de previsão, pelo entendimento do processo de gerenciamento de riscos, torna apto o ambiente a adequação e reconhecimentos dos perigos e emergências corporativas, bem como , das formas já desenhadas para seu enfrentamento , contenção , minimização ou extinção.

                                            O grande problema para a segurança está em situar a existência do risco. Numa cultura voltada para a idéia de que o "perigo, só na casa do vizinho", existe uma rejeição aos processos de segurança corporativa. Não é muita surpresa, pois basta observar os riscos a que a maioria das pessoas teima em cometer nas grandes cidades, sendo vítimas das variadas modalidades de crime, para entender o porquê de tanta reação nas empresas. Prova disso ? basta observar que alguns executivos não se deslocam um metro siquer nas ruas, sem um agente de segurança, ou com motorista e carro blindado, no entanto, seus filhos e sua familia estão com essa mesma cobertura ? Periodicamente, em algumas empresas, os dirigentes passam por palestras de segurança pessoal, visando sensibiliza-los para os riscos e formas de auto proteção, mas para seus familiares nenhum cuidado é dedicado ! Essa forma dispersa de segurança, acaba por ser observada inconscientemente por outros envolvidos, gerando descrédito e "pilhéria" a esses modelos. Em recente atividade de treinamento de segurança pessoal para executivos, numa simulação, pedimos que fosse feita a operação de um extintor de incêndio. Para nossa surpresa, o indicado ( um Vice Presidente) não sabia usar o equipamento e nunca havia sido treinado para tal, não tinha siquer a noção do uso do material para facilitar seu roteiro de fuga, destruindo uma porta de vidro !!!

                                            Gerenciar crises, é antes de tudo reconhecer o risco, buscar e avaliar situações que por sua natureza venham a cria-los ou potencializa-los.Reconhecer que "emergências" existem , mas podem ser trabalhadas para ter seus efeitos minimizados.

                                            Prever, antecipar e estar pronto para intervir e operar em situações de crise, a partir de nova concepção estratégica nos negócios é agora uma "missão" da segurança. Prova disso é que  profissional que desconhecer o conteúdo e as implicações da " Lei Sarbanes-Oxley ",  certamente terá problemas para entender a importância da continuidade dos negócios e o gerenciamento de crises nas empresas.

                                            A " Sarbanes-Oxley " é um "Act"  ("The U.S. Public Company Accounting Reform and Investor Protection Act of 2002"), uma Lei decorrente das medidas governamentais adotadas pelos EUA , em razão das fraudes e dos riscos de gestão corporativa, que vieram a tona nos últimos cinco anos, a lei inclui a responsabilidade criminal da empresa em caso de inconsistência de informações econômicas e financeiras. Em outras palavras, diretores podem ser processados e presos sempre que se comprove o não cumprimento das novas obrigações, dentre elas:
- conduzir os negócios seguindo as definições da GAAP (Generally Accepted Accounting Principles);
- fornecer os relatórios financeiros explicativos exigidos pela SEC (Securities and Exchange Commission);
- gerenciar e manter os registros corporativos.

Multas que chegam a milhões de dólares também são previstas no instrumento, o que mostra a importância de seu cumprimento.A primeira vista, os desavisados e céticos, podem interrogar-se sobre o que uma Lei americana tem a ver com sua empresa, mas somente seu conhecimento e as atividades econômicas e comerciais desenvolvidos por sua empresa diretamente ou com parceiros de negócios é que poderá elucidar a importância do seu conteúdo e de suas implicações decorrentes.

O referencial principal é o de proteger os investidores, e no seu desdobramento a Lei mostra as obrigações que se impõe para dirigentes, advogados, auditores e contadores, quanto a integridade dos negócios, criando a responsabilização pessoal e direta quanto a registros e dados da empresa, vinculando-os a manutenção das condições de funcionamento e de recuperação de dados, registros e informações operacionais, ou seja, uma função e obrigação diretamente vinculada a segurança.

Um "roubo de senhas" ou a sabotagem dos serviços de informações que devam estar disponíveis, indicarão a responsabilização civel e criminal de seus responsáveis em decorrência de ações ou omissões. A falsificação, destruição e perda de documentos e registros, é severamente controlada e reprimida pelo novo instrumento. Vale aqui, atentar p.ex. para as condições de segurança contra incêndio, que podem por suas decorrências causar perdas , e responsabilização !

Assim, o sistema de " Prevenção & Gestão de Crises", torna-se prioritário nas organizações, visando a prevenção contra ocorrências indesejáveis, a partir de uma postura mais proativa da segurança, não mais esperando que aconteça para que possa agir, mas ficar atenta ao que pode acontecer...

Dessa forma, a segurança empresarial deve sinalizar para a empresa, os componentes necessários a um ambiente seguro, no que tange a pessoas, bens e instalações, não sendo demasiado repetir que a maior parte dos riscos e comprometimento da segurança deriva da ação/comportamento humano, o que exige um trabalho mais acurado a nível de treinamento contínuo em segurança pessoal e coletiva nas organizações em variados aspectos ( prevenção e combate a incêndios, continuidade em T.I. , controle de acesso, segurança da informação, segurança física das instalações, proteção pessoal e coletiva etc.).

Da ameaça de bomba, passando por fraudes e furtos na empresa, e o risco de roubo ou danos ao patrimônio, tudo deve merecer um estudo analítico quanto ao sistema de prevenção, mas também, quais as ações e procedimentos indicados e qualificados para sua resposta em caso de ocorrência, visando ofertar à empresa, soluções adequadas as suas necessidades.

Carlos Paiva
É Presidente do Comitê de Segurança Empresarial
da Agência Brasil de Segurança - ABS

E-mail: paiva@pointtrade.com