Feriado prolongado... Perigo dobrado!!!

Carlos Paiva (*)
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Final-de-semana prolongado, quase sempre, representa  uma fonte de agressões criminosas contra as empresas. A explicação, foge da técnica e quase sempre tem uma visão “cultural”, qual seja , de que as preocupações são perpassadas pelo estímulo ao descanso e lazer, fazendo com que haja uma “redução” inconsciente quanto as medidas protetivas, como se os criminosos mantivessem o mesmo ritmo de horários ocupacionais...

                    É nesses feriados que se percebem alguns tipos de ataques, dos quais os mais frequentes são os ataques aos escritórios e áreas administrativas. Estribados na “calma” desses dias os marginais aproveitam-se da leniência quanto as normas e padrões de segurança para fazerem seus ataques. Intrusões a depósitos também são frequentes nesses períodos, já que a “tranquilidade” com que se revestem certas áreas geográficas, inclusive com a redução de patrulhamento por parte do policiamento público, permite ações tranquilas junto algumas edificações e instalações.

                    A pressa com que alguns na véspera do dia em que não haverá expediente, fazem suas tarefas, não raro, inclui a negligência com os quesitos de segurança. Aliás, o período vespertino nessas datas em alguns ambientes, já dá mostra do que vem pela frente. Isso representa uma significativa responsabilidade direta de segurança empresarial, não só em termos operacionais, mas também em termos de prevenção a riscos específicos. Alertas pelo sistema de intranets, avisos, circulares e memorandos devem ser disparados , visando uma ação coletiva de preocupação com segurança, envolvendo todos os interessados e distribuindo as ações que visam a proteção coletiva, por todos.

                    Fatos recentes, mostram que empresas tiveram todo o seu sistema de Tecnologia da Informação atacado por ação física local, onde a retirada de discos rígidos e o roubo de servidores, levou junto a “vida” da empresa. Cada local tem sua característica própria de risco, ou seja, um prédio totalmente ocupado por uma única empresa, e com total controle de segurança física, tem bastante diferença de unidades que estão em instalações comuns a outros, as vezes , dezenas de usuários, e sob as quais não temos controle direto sobre a segurança, vinculada a um condomínio, cujo síndico repassa as “chatas” funções de segurança ao porteiro-chefe (que quase sempre, também não estará alí no período...)

                    Um outro dado a considerar é que as equipes de vigilância, quase sempre ficam limitadas ao preenchimento dos livros de ocorrência relativos ao período, sem que nenhum contato, as vezes siquer telefônico, seja realizado entre o gestor chefe de segurança e essas equipes. Tal fato, acaba por criar um clima de tranqüilidade incompatível com a atual realidade da violência urbana e de suas implicações para as empresas. O controle acaba sendo negligenciado, num “efeito cascata”, já que os que alí estão em serviço, acham que se quem deveria se preocupar mais, está no lazer, é porquê a situação não é tão séria assim...

                    Os feriados prolongados e as épocas de festa, merecem uma especial atenção da segurança empresarial, num contexto preventivo e de conteúdo analítico, onde o prever deve prevalecer. Aliás, um bom exemplo disso, são as equipes de plantão em depósitos de combustíveis e refinarias, que nessa época, estão de olho nos céus, não pelas estrelas, mas pelos balões.

(*) Carlos Paiva - Presidente do Comitê de Segurança Empresarial 
da Agência Brasil de Segurança - ABS -

E-mail: paiva@pointtrade.com