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COUNTER TERROR 2010


Vinícius D. Cavalcante, CPP.

Desde o 11 de Setembro, profissionais de segurança do mundo inteiro tem procurado se colocar "um passo à frente" de toda sorte de ações adversas; contudo, terroristas vez por outra conseguem furar-lhes os esquemas de proteção e tais ações ribombam espetacularmente junto à opinião pública. Seja com bombas no sistema ferroviário espanhol; explodindo alvos no transporte público londrino; tentando derrubar aviões de passageiros; atacando a infra-estrutura turística em locais tão diversos quanto o Egito, Jordânia, Paquistão, Indonésia ou Filipinas; intentando a tiros contra o time de futebol togolês excursionando em Angola; atacando o ônibus que transportava a equipe de cricket de Siri-Lanka no Paquistão ou explodindo bombas contra dignitários e instalações governamentais, o terrorismo é uma chaga mundial com a qual devemos aprender a conviver, que devemos estudar a fim de nos capacitarmos para enfrentá-la com sucesso.

O desafio imposto às forças de segurança do mundo inteiro é enorme. Como impedir todas essas ações? Como detectar os integrantes de tais grupos e antever-lhes as más intenções? Como verificar a procedência das informações ("informes") que chegam às forças de segurança das mais diversas fontes? Para que se tenha uma idéia do tamanho do problema, apenas no Reino Unido a contra-inteligência do MI-5 indica que mais de 2000 pessoas seriam de alguma forma envolvidas com atividades do terrorismo islâmico e que  muitas mais atuariam no suporte financeiro ou logístico das células existentes nas ilhas. Ainda que se tenha alguma suspeição sobre essas pessoas, o monitoramento de um número tão elevado de indivíduos num país democrático (onde as pessoas não costumam ser presas com base em suspeitas vazias) excede a capacidade acompanhamento e de vigilância da maioria dos organismos de inteligência e segurança do mundo.

E os problemas não terminam com as medidas defensivas (físicas e procedimentos) destinadas a reduzir a vulnerabilidade de pessoas e instalações aos ataques terroristas. Se tudo falhar, precisaremos lançar mão de medidas duras, repressivas, para deter e responder às ações de tais grupos criminosos. Nessas horas é que todos os planejamentos são postos à prova e quando normalmente tudo o que poderia dar errado teima em acontecer. É aí que sentimos particularmente o peso da falta de investimentos; da falta de equipamentos ou recursos de toda ordem; da carência de armamento ou munições adequadas; dos problemas na cadeia de comando e controle; das falhas da rede de comunicações e da ingerência política sobre questões específicas que - salvo melhor juízo - deveriam ser geridas pelos técnicos e não pelos burocratas (que só enxergam um viés de negócio) ou por políticos de pouco escrúpulo em sua eterna busca pela projeção da mídia.

Infelizmente, necessidades dessa ordem, assim como muitas outras bastante prementes, no Brasil só são relevadas depois da ocorrência de alguma tragédia que poderia ser evitada. Embora eu não possa deixar de observar que as coisas vêm melhorando nos últimos anos, normalmente é depois de inocentes mortos, feridos, danos ao patrimônio ou mesmo após um bom vexame, que costumamos seguir os conselhos "do manual". No Brasil chegamos ao cúmulo de comprometer a tipificação do Terrorismo em nossa  legislação, apenas para não macular "Movimentos Sociais" que, patrocinados pelo dinheiro público, invadem propriedades, roubam, depredam, matam, torturam e que mantém comprovadamente laços com "instituições" estrangeiras como as FARC!

A denominação Contra-Terrorismo compreende todo o conjunto de medidas, que envolvem as missões de cerco, negociação e retomada de instalações e libertação de reféns, desativação de armadilhas e bombas improvisadas, bem como a captura ou eliminação física de tais criminosos. Ações especializadas, desempenhadas normalmente por ramos especiais das polícias e forças armadas.

Em 14 e 15 de abril passado, teve lugar em Londres, no Olympia Hall, a maior exposição internacional voltada para ações de contra-terrorismo no âmbito da segurança pública e privada. O evento compreendeu uma grande feira especializada com mais de 300 expositores, uma série de conferências com palestrantes de diversas nacionalidades e workshops que apresentavam uma grande variedade de tecnologias e técnicas aplicadas ao contra-terrorismo, inteligência e segurança.

A idéia por trás da exposição de cada especialista pode ser resumida como a de conter o terrorismo num mundo em transformação. Num fórum realmente multidisciplinar, acadêmicos analisavam questões do mundo real e expunham suas contribuições para melhoria do trabalho dos profissionais que planejam e atuam na esfera contra-terrorista; em nada destoando dos experientes técnicos militares, policiais e da área de inteligência também presentes. Desculpem-me, mas não dá pra evitar a comparação com uma abordagem "tupiniquim" que conhecemos bem, onde Pós-graduados, Mestres ou Doutores de ego inflado se põe a discorrer sobre o aquilo não conhecem em profundidade, às vezes, só dos livros. Essa prática que pouco ou quase nada acrescenta aos profissionais da linha de frente e que nos meus velhos tempos de Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ costumávamos chamar de "grande erudição vazia", para sorte daqueles que travam guerras de verdade passou longe das apresentações em Londres. Discussões acerca do
enfrentamento de ameaças cibernéticas, proporcionadas tanto por forças regulares quanto por grupos insurgentes, ocuparam muita atenção dos presentes, da mesma forma que táticas e a tecnologia para se contrapor ao complexo problema das bombas terroristas. Também se abordou a questão da segurança de eventos com grande público, com especial ênfase nos Jogos Olímpicos de 2012.

A exposição apresentou inúmeras tecnologias para proteção balística e contra explosões, barreiras contra veículos, equipamentos para detecção de intrusão, recursos para detecção de metais, bem como material radiativo, venenoso, inflamável e explosivo, equipamentos de contramedidas eletrônicas para neutralização de artefatos explosivos acionados por rádio ou telefone celular, acessórios para armas, trajes especializados, armamento não-letal e uma expressiva quantidade de instituições especializadas em treinamento da Grã-Bretanha, Estados Unidos e Israel.

Estavam expostos uma grande gama de materiais para construções à prova de explosões. Desde divisórias de material composto até  revestimentos, vidros e janelas blindados. Barreiras de absorção balística, modeladas em grandes blocos feitos de borracha reciclada e prensada demonstraram a capacidade de resistir a impactos de projéteis no calibre.50 e que, combinados uns aos outros substituem as trabalhosas barricadas feitas com sacos de areia, com a vantagem de serem transportáveis e fáceis de instalar. Curiosamente no Brasil nós já empregamos blindagens de borracha experimentalmente há alguns anos e veículos Urutus mandados ao Haiti possuíam uma blindagem suplementar feita com placas de borracha sólida.

Com a participação no CounterTerror Expo 2010 pude reforçar  minha convicção de que, para sobrepujar os terroristas, faz-se necessário estudar continuamente o funcionamento de suas organizações, seus "modus-operandi"; desenvolver (ou aperfeiçoar) medidas de prevenção e reação; conscientizar e treinar efetivos de segurança na esfera pública e privada, bem como investir maciçamente na estrutura sistêmica da inteligência nacional e em tecnologias/sistemas que permitam monitorar e prevenir a materialização das ameaças que a cada dia se mostram mais surpreendentes.

Vinícius D. Cavalcante, CPP. O autor é Consultor em Segurança e Diretor da ABSEG no Rio de Janeiro.
E-mail: vdcsecurity@hotmail.com




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