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Segurança Pessoal - Riscos & Prevenção


Vinicius Domingues Cavalcante

 VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE(*)

 No início de junho de 2009, o assassinato do ex-Vereador Nadinho, da comunidade de Rio das Pedras surpreendeu a muitas pessoas. O ex-parlamentar, aparentemente ligado a milícias como as que atuam em diversas áreas do Rio de Janeiro, morava em um condomínio fechado, de classe média alta, na Barra da Tijuca e foi alvo de pistoleiros em plena luz do dia, quando saía de seu prédio, ao que parece, para encontrar um amigo que o aguardava. O político foi alvo de diversos disparos, algum dos quais lhe feriram gravemente e impediram sua fuga para um local seguro dentro do prédio. Seus assassinos, com rostos cobertos por toucas, perseguiram-no ousadamente até o interior do edifício e desferiram mais tiros que lhe chegaram a desfigurar a face. Os criminosos fugiram de carro, passando por ruas internas e guaritas sem qualquer oposição.

Não é nosso objetivo discorrermos acerca das vulnerabilidades da segurança nos condomínios da cidade, até por sabermos que, em sua maioria, não terem sido dimensionadas para permitir um perfeito controle de acessos e  empregarem profissionais pouco treinados, desarmados, mal equipados e que só muito dificilmente conseguiriam impedir crimes dessa natureza. A questão que não se pode deixar de observar é como alguém sobre cuja vida pesam tantas ameaças, não contava com qualquer tipo de segurança pessoal.

Nesse caso, que infelizmente resultou num óbito, estamos falando de um político de projeção local, então sem mandato e que despontava na mídia como participante de atividades ilícitas. Eu o conheci na Câmara como um sujeito bem humorado, simpático e extremamente bem educado, porém os acontecimentos nos mostram que ele devia ter inimigos e que estes seriam pessoas perigosas, decididas e com muitas razões para querê-lo fora do caminho.

 Lembro-me da fala do personagem de Clint Eastwood , o pistoleiro Will Munny no premiado faroeste  Os Imperdoáveis , que ao entrar numa estalagem e ver o corpo de seu velho amigo Ned Longan (protagonizado pelo ator Morgan Freeman) atira de forma impiedosa no dono do bar, que não usava armas. Ao ser indagado pelo xerife Little Bill Daggett (Gene Hackman) acerca da razão para atirar no barman, ele responde: “Qualquer um que enfeite seu bar com o cadáver de um amigo meu deveria se armar!”

No mundo de hoje, nem sempre as pessoas estão realmente atentas para as implicações de todos os seus atos. Normalmente políticos e outras autoridades, independentemente de qualquer eventual conduta ilícita, acabam contrariando interesses e nunca se pode saber ao certo quando isso pode motivar alguém a um ato mais violento. Na dúvida, há de se estabelecer procedimentos de segurança, os quais deverão estar em condição de salvaguardar a pessoa protegida, contra todo um conjunto de ameaças que se consiga racional e razoavelmente antever, dentro do leque de opções que teriam aqueles oponentes cujas razões para temer ou odiar sejam suficientemente fortes a ponto de resultar num atentado.



Um assassinato por facada, arma de fogo ou artefato explosivo (mesmo uma ação mais espetacular ou suicida) pode muito bem ser levada a cabo por um antigo e grave desafeto. Há pessoas que são capazes de viver uma vida inteira remoendo uma mágoa e preparando uma vingança; e que cegos pelo ódio, acreditam que só a consumação de seu intento conseguirá por fim ao seu martírio pessoal. É uma motivação fortíssima e que muitas vezes faz com que o autor da ação adversa perca completamente a racionalidade de não se expor, deixando em segundo plano a perspectiva de pôr-se a salvo ou garantir uma fuga bem sucedida após a execução da ação.  A raiva é um motor que não pode ser estimado se não conhecemos o histórico de vida de uma pessoa e se não sabemos previamente de suas razões.

Igualmente, desde os tempos mais remotos, a eliminação física de oponentes é uma prática ilícita, porém amplamente empregada tanto no meio político, quanto nos negócios. Não faltam exemplos de situações políticas que se modificaram pela morte de um dignitário ou mesmo de negócios importantes que se alteraram com a morte de um empresário. Num cenário de terrorismo, tais mortes muitas vezes são anunciadas às claras e até assumidas por pessoas ou grupos. Quando o Presidente Kennedy foi assassinado em Dallas, um atirador assumiu a autoria dos disparos, sendo rapidamente assassinado antes de dizer o que sabia. Hoje, contudo têm-se a certeza de que teria havido pelo menos dois atiradores, disparando quase que simultaneamente contra o Presidente, provavelmente com armas idênticas.

No que tange ao crime político nem sempre as coisas são feitas às claras. Rajadas de tiros dadas à queima-roupa podem até acontecer, mas realmente não são usuais, fora de um contexto de rivalidade política como o que acometia famílias no Nordeste brasileiro (a rixa entre os Araquan, Gonçalves e Benvindo em Belém do São Francisco e entre os Sampaio e Alencar em Exu) ou que ainda se constata na Baixada Fluminense.

Normalmente, quando se busca a morte de alguém, ninguém quer deixar evidências que permitam identificar uma real autoria, um mandante ou quem quer que poderia lucrar diretamente com a morte. Há necessidade de disfarçar o que de fato ocorreu, fazer parecer acidente, deixar pistas falsas, tudo que possa induzir a erros de avaliação ou dúvidas sobre a real extensão da ocorrência. Nesses casos, às vezes os que tramaram um atentado estão bem próximos da personalidade assassinada. Como profissional encarregado de proteger autoridades, não consigo acreditar que a morte do Papa João Paulo I, em setembro de 1978, fuja a contexto como esse; principalmente em face de todas as medidas adotadas para encobrir o caso.  Se o Papa que o precedeu, Paulo VI, teve divulgado um relatório médico extremamente preciso quando de sua morte (até mesmo os horários das complicações médicas foram anotados), igual não ocorreu João Paulo I; seu corpo foi embalsamado imediatamente após o óbito, e as verdadeiras causas do falecimento jamais chegaram ao público.

Da mesma forma, o assassinato do milionário alagoano Paulo César Farias, tesoureiro da Campanha do ex-Presidente Collor se deu em meio a condições nebulosas e que não foram convenientemente explicadas. Em que pesem as informações confirmadas de que ele e a namorada alternavam momentos de amor intenso com ruidosas brigas, a hipótese de crime passional, convenhamos, é difícil de aceitar. A própria atuação da segurança pessoal de PC Farias frente ao incidente já daria motivo para pensar, no mínimo, numa grande omissão. A quem interessava silenciar aquele que era um autêntico arquivo vivo de tudo que envolvia o governo, suas ligações, apoios e os esquemas de malversação e corrupção que acabaram resultando no impeachment do Presidente da República? A quem interessaria o seu silêncio? Quem lucraria com sua ausência?

  

Num bem urdido complô para a eliminação física de uma pessoa proeminente, quem quer que idealize as ações precisa de um redobrado cuidado para salvaguardar a identidade daquele que planeja e de todos os demais envolvidos. Muitas vezes os executantes podem ser meros peões, cooptados no submundo do crime ou pessoas cuja insatisfação ou ódio para com o alvo foram convenientemente manipulados de forma que, uma vez consumado o atentado, ninguém perca tempo de se perguntar se haveria mais alguém por trás do assassino. Mesmo assim, o acaso muitas vezes conspira contra os matadores e as coisas não saem bem como planejado.

Para qualquer profissional de segurança mais atento, o caso do assassinato do Prefeito Celso Daniel se enquadra nessas premissas. Ele saiu para jantar com o empresário Sérgio Gomes da Silva (o qual se disse na época, também respondia às vezes pela própria segurança pessoal do morto) e retornavam para casa qundo o ataque aconteceu. O carro em que estavam, uma caminhonete Mitsubish Pajero, 4x4, extremamente robusta, possante, ágil e blindada teria sido abordada e fechada por veículos de passeio menores e mais leves, sem que o seu condutor esboçasse qualquer tentativa de furar o bloqueio. O motorista alegou que o veículo sofrera uma pane mecânica ( o que foi posteriormente contraditado pela perícia que confirmou as boas condições de funcionamento do veículo) e ainda destrancou o travamento elétrico das portas, permitindo que o Prefeito pudesse ser retirado do interior do carro pelos captores que o assassinaram.

Segundo os peritos, se houve falha na hora do atentado, ela foi humana; indo mais além eu diria: E como houve falhas! A arma do empresário, que ao não regir alegou que a mesma estava dentro de sua bolsa, no banco de trás do veículo, não foi utilizada (e nem levada pelos bandidos). Aliás, os mesmos bandidos que levaram o Prefeito (e que antes de matá-lo empreenderam uma bárbara sessão de toruras) teriam se permitido deixar viva uma testemunha ocular, munida de celular e com uma arma. Convenhamos trata-se de uma história dificil de engolir, sobretudo quando sabemos que perseguições como a que o Sr. Sérgio Gomes da Silva, o motorista, afirmou ter sofrido naquele dia, normalmente envolvem avanços de sinal, subidas de meio-fio, tiros e costumam terminar com cenas dantescas envolvendo diversos motoristas, veículos batidos...tudo que não ocorreu naquele incidente. Além do então Prefeito da Cidade de Santo André, assassinado por bandidos comuns, diversos outros misteriosos homicídios posteriorment já vitimaram pessoas que tiveram contato com a morte do dignitário e que estavam de alguma forma envolvidos com a investigação. Na atividade de segurança não nos permitimos deixar levar pela idéia de coincidência, sobretudo quando se percebe um intenso esforço para abafar o caso na mídia e pô-lo sob o manto do Segredo de Justiça...

 

É importante conscientizar os profissionais de segurança pessoal, que nem todo tipo de atentado se restringe a triade das agressões com facas, tiros e bombas. Não se trata de um exercício de teorizar conspirações porém há venenos poderosos como o ácido prússico que permitem simular uma eficaz e simples parada cardíaca, apagando quase que completamente os indícios de uma morte provocada. Fidel Castro orgulha-se de haver escapado de tentativas de envenenamento de seu sorvete e charutos pela CIA; em contrapartida, há extenso histórico de emprego de substâncias    Dioxinha e a Rícina, sobretudo por serviços secretos do antigo bloco comunista. Às vezes, falsear um ataque do coração que vitime alguém importante pode ser a arma de assassinos bem mais inteligentes e letais daquele que o pistoleiro do filme que citei antes...

 (*)VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE, CPP, o autor, é Consultor em segurança certificado pela American Society for Industrial Security; Certificação CSP pelo IBRASEM; Especialista em segurança pessoal de autoridades e executivos, integra a Diretoria de Segurança da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. E-mail: vdcsecurity@hotmail.com




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