




No Brasil, nos anos 80 e 90, enfrentamos uma forte onda de seqüestros perpetrados pela criminalidade, a qual tinha, nos seqüestros uma variante, bastante lucrativa do seu principal negócio que é o tráfico de drogas. A ação dessas quadrilhas diminuiu muitíssimo, sobretudo no Rio de Janeiro, em função de uma resposta policial dura e eficaz, fortemente embasada numa atividade de inteligência especificamente voltada para atuar segurança pública. Com o crime de seqüestro tradicional praticamente “zerado” no Rio de Janeiro, os visitantes estrangeiros ainda tinham que temer ocorrências mais banais como o furto e roubo de computadores portáteis e celulares na via pública, a violação de bagagens nos aeroportos, a subtração de carteiras e máquinas fotográficas na praia ou em locais turísticos menos policiados, golpes aplicados por maus motoristas de táxi, prostitutas, empregados desonestos em hotéis e restaurantes. Tratam-se de ações contra as quais, via de regra, qualquer um deveria precaver-se, fosse qual fosse o seu destino, pois são coisas que podem acometer (e acometem) ao viajante em todo lugar. Há turistas brasileiros saqueados na Flórida; roubados no México, ao sair do aeroporto; furtados em seus pertences no interior de hotéis em Paris, mas convenhamos, nada ajuda a vender mais jornais do que estampar uma boa troca de tiros no Rio de Janeiro!
Embora, de uma maneira geral, a mídia venha se encarregando de “queimar” o Brasil, o nosso país não costumava se um destino mais perigoso para turistas e homens de negócios do que quaisquer outros, onde ações de roubo, furto e violência não sejam contempladas com tanto espaço nos noticiários.
Porém alguns acontecimentos recentes nos lembram o quão perigoso é relaxar com a segurança dos nossos visitantes. Em agosto de 2008, bandidos armados assaltaram um grupo de turistas orientais que visitavam pontos turísticos na área de floresta da cidade e seqüestraram o Vice-Embaixador vietnamita e três técnicos chineses que estavam trabalhavam numa siderúrgica em Santa cruz e tinham ido conhecer o Corcovado. Os turistas, que viajavam numa van, não contavam com qualquer tipo de segurança e foram atacados por um grupo de cerca de doze homens armados de fuzis. Ressalte-se que tal ação não ocorreu no interior de uma área rural na Birmânia, nas praias desertas ou florestas das Filipinas ou no Siri-Lanka; mas sim na maior floresta urbana do mundo, a qual sedia pontos turísticos internacionalmente reconhecidos como de rara beleza e que atraem turistas de todo o mundo. Os estrangeiros foram mantidos cativos em uma grande favela da cidade, num buraco escavado na terra (numa profundidade de mais de 2m), coberto com telhas, numa área em obras a qual não despertava quaisquer suspeitas.
É certo que todo lugar tem suas particularidades no que tange aos riscos de segurança. Ainda hoje, em Nova Iorque, algumas áreas da cidade continuam vedadas ao turista desavisado, sobretudo à noite. Em Londres, o crime violento com facas vem crescendo em bairros periféricos. Qualquer que seja o destino de um VIP, sempre haverá a necessidade de contar com o assessoramento de um profissional de segurança competente e confiável, perfeitamente familiarizado com a geografia física, humana e sobretudo com a crônica delituosa daquele determinado local. Faz-se necessário dispor de alguém que possa avaliar os riscos com precisão, enunciando escrupulosa e tecnicamente os recursos de proteção necessários e descartando os excessos que obviamente seriam praticados por aqueles que se ativessem unicamente às informações proporcionadas por leigos ou pela mídia.
Infelizmente, as ruas nas nossas grandes cidades são hoje um cenário muito mais adverso do que eram no tempo de nossos pais ou avós. Isso não quer dizer que nelas seja impossível viver ou circular (afinal, moramos, trabalhamos e vivemos aqui); porém que é necessário estudarmos tais áreas, o quê nelas ocorre e aprendermos como devemos nos portar de forma a assegurarmos maiores chances de incolumidade. A conjuntura infelizmente conspira contra a segurança dos homens de bem, nacionais ou estrangeiros que nos visitam. Um turista estrangeiro, um diplomata ou um executivo estrangeiro por certo não poderá proceder dessa forma, ficando mais sujeito às mais diversas formas de violência urbana e vão necessitar contar com segurança, na razão direta de sua importância e das possibilidades de perigo que, se espera, possam ameaçá-lo. Descuidar-se disso pode representar para o visitante o mesmo que brincar de roleta russa; um dia a sorte pode acabar e...
Vinícius Domingues Cavalcante, CPP é Consultor, especialista em segurança pessoal de executivos e autoridades e integra a Diretoria de Segurança da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
E-mail:vdcsecurity@hotmail.com








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