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O Processo de seleção e a Vida Profissional


Célia Menezes


O Processo de Seleção e a
Vida Profissional

"No homem, o saber e o poder se correspondem e se dirigem ao mesmo objetivo. O poder do homem apenas aproxima ou afasta os corpos naturais uns dos outros; Tudo o mais é a natureza mesma que realiza no interior ou fora da existência e compreensão humana. Bom e mau se dizem apenas num sentido relativo. Uma coisa considerada isoladamente não é dita ser boa ou má, mas somente em sua relação com a outra a qual ela é útil ou nociva para a obtenção daquilo que se ama."
(Espinosa- Pensamentos Metafísicos)

     O mundo ocupacional é que proporciona a psicologia aplicada o seu mais extenso campo. Um dos meios que, efetivamente, nos parece o mais eficaz, no sentido de fazer baixar o preço de custo, é realizar a maior economia possível na mão de obra . Disso provém a racionalização do trabalho, a qual Taylor atribuiu seu próprio nome. Mas essa racionalização ignorou a princípio a importância e a complexidade do fator humano. Rapidamente o industrial se apercebeu, no entanto, de que não se emprega nem se molda o material humano à vontade. Existem leis psicobiológicas, diferenças individuais, conformações especiais. A organização do trabalho, portanto ampliou-se. Supera os limites de um plano de produção. Coloca o problema humano, sob o aspecto da adaptação do homem e seu ofício e do ofício ao homem.

     Presentemente, assistimos aos efeitos da denominada "globalização" sobre os meios de produção, sobre os fatores humanos, sobre a economia interna e externa das organizações. O fenômeno não é novo, já na Revolução Industrial mostrou-se avassalador nas estruturas e hoje se repete em forma não tão diferente. O impacto dessa realidade sobre as organizações é tema de estudo em varias formas e conhecimentos. Preparar a organização para o enfrentamento e "vitória" sobre o risco e as ameaças que pairam sobre todas em todos os momentos é o diferencial entre o sucesso e o fracasso negocial.

     Organizações são pessoas reunidas em prol de um objetivo comum e devem ser observadas na sua dimensão de macroeconomia, de finanças, de marketing, de novos produtos, de logística, mas não podem perder de vista que nada disso funciona sem "pessoas" !

     Classicamente costuma-se contrapor a orientação e a seleção profissionais. A primeira procura descobrir qual o gênero de atividade profissional que mais convém às aptidões do indivíduo; a segunda, qual o indivíduo que mais convém à determinada tarefa. A seleção se impõe sempre que o fator humano se torna mais importante que o fator máquina, sempre que a presença de uma aptidão particular, ou de um grupo de aptidões se faça necessário ao êxito profissional. A seleção profissional é feita na fábrica, indústria, grandes lojas, no próprio interior da empresa. A fase de orientação vai mais alta, implica conhecimento mais profundo e mais amplo do indivíduo, uma informação mais extensa quanto as possíveis profissões, exigindo do orientador não apenas as qualidades de um técnico como também as da intuição clínica. De fato ela possibilita uma diminuição da instabilidade profissional, redução nos acidentes, melhor desempenho, coisas que se traduzem para a sociedade em seu conjunto, por vantagens indiscutíveis. Consistindo ainda em, pesquisar quais as profissões que melhor convenham à organização. Portanto um conselho de orientação é questão não só de diagnóstico como também de progn¨óstico.

     Vale lembrar que no processo de seleção, a orientação continuada, é a necessidade de levar em conta não só as aptidões propriamente ditas, como também a personalidade, o que torna muito difícil um diagnóstico que não tenha profundidade no tempo. Todo ser humano tem uma história. Todo exame que pratique um corte arbitrário no tempo deve ser reposto nesse histórico. Para tal, podem-se utilizar dados biográficos referentes a ele.

     No processo de orientação continuada visando seus colaboradores, devem ser levados em conta: estudo dos empregos e cargos, do ponto de vista da história profissional do trabalho: exames psicológicos escalonados, integração da orientação na formação, na utilização e na promoção da relativa polivalência funcional de cada um. Em tempos de ajustes nas organizações, que podem envolver uma total guinada na sua atividade, meios de produção e foco para novos negócios, a seleção não se encerra em si mesma, com a admissão do colaborador. Na verdade ela permanece durante todo o tempo apto a reposições e rearranjos na forma produtiva a partir de seus meios humanos já existentes.

     Aqui, vale lembrar a sistematização do pensamento na metodologia da entrevista. Pensar sistematicamente, é pensar a partir de princípios coerentes, relacionando idéias e conceitos, ordenando os enunciados de modo a chegar a uma visão de totalidade e a expressão precisa de uma tomada de posição diante do mundo, procurando desenvolver a sua argumentação, encadeando logicamente os argumentos; preocupa-se em construir um raciocínio coerente com os seus princípios e pressupostos; a reflexão é finalmente organizada em um discurso. O discurso trabalha os seus conceitos de tal forma que cada conceito se relaciona com o outro, e essa reciprocidade forma uma totalidade coerente e com sentido.

     Um discurso dissertivo é a exposição do pensamento em forma de desenvolvimento de idéias. O homem é histórico não apenas porque está na história e tem uma história, mas porque também ainda esta se realizando como homem em circunstâncias e condicionamentos históricos. Sua história é o processo de fazer-se homem, humanização, ultrapassagem. O homem faz-se homem na totalidade de suas relações consigo mesmo, com os outros, com o mundo. O homem que se humaniza, entra em um processo de fazer o que ele é. Um dos grandes desafios dos gestores de pessoas nas organizações, é extrair essa capacidade, e usando a metodologia de entrevista adequada ele será capaz de avaliar cada funcionário que pertença a sua organização, cada perfil profissiográfico de todos os setores e cargos, criando assim um elo por toda a empresa.

     A seleção de pessoal é intrínseca ao desenvolvimento pessoal e ao desenvolvimento da organização, não havendo como desassociar a importância estratégica e conceitual do processo seletivo nos resultados econômicos e financeiros da organização. O investimento nos meios e estruturas de seleção é o que poderá assegurar aos dirigentes do negócio a certeza de que seus planos e metas poderão ser alcançados através dos seus colaboradores nas mais variadas esferas da organização

Célia Menezes

Doutora em Psicologia, Administradora,
Consultora nas áreas de RH, Qualidade, Treinamento e Gestão.

e-mail : celiapsi@estadao.com.br




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