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Evitando sinistros como o do MASP


Vinicius Domingues Cavalcante

          Nas rodas de conversas ou nas pesquisas de opinião, a Segurança é sempre elevada à condição de prioritária pelos interlocutores, sejam eles de quaisquer dos sexos, idades ou posição sócio-econômica. Privilegiamos Segurança; porém, nem sempre estamos à altura de avaliar, com alguma correção, os riscos que pesam sobre nós, sobre nossos familiares, patrimônio, negócios etc. Se é verdade que todo brasileiro é potencialmente um técnico de futebol, talvez possamos estender tais credenciais aos conhecimentos da área de segurança: todo mundo ousa opinar sobre assuntos que pensa conhecer; formamos estereótipos em nossas mentes e depois raciocinamos de forma automática, levando em consideração, é claro, tudo aquilo que já havíamos estabelecido previamente como certo.

          Daí, decorre uma boa quantidade de equívocos que fazem com que muitas pessoas vivam pagando por seus erros de avaliação. A rigor não se deveria tratar questões eminentemente técnicas com palpites ou “achologia”, porém, para o cidadão comum, é mais importante se sentir seguro do que, numa avaliação de cunho mais profissional, estar seguro realmente. Embora a maioria das pessoas só se dê por conta disso ao ser roubada ou sofrer qualquer outro tipo de violência, aparatos de segurança que podem impressionar ao público leigo nem sempre são efetivos, mesmo contra ameaças simples, proporcionadas por criminosos comuns. Em boa parte das vezes, essa segurança "de fachada" não resistiria a um simples teste e fracassa fragorosamente ante a primeira ação delituosa. Em tese, não se deveria confiar apenas numa sensação que pode ou não corresponder à realidade; mas na prática as pessoas continuam sendo vítimas, mesmo após tomarem medidas que lhes pareciam suficientes, para garantir sua incolumidade ou de seu patrimônio.

 

          A verdade é que quase sempre falta ao nosso pretenso técnico de segurança a percepção de que está diante de uma atividade complexa, que requer uma gama de conhecimentos específicos e que tem uma cultura própria, na qual o cidadão comum, que imagina poder matar elefantes com espingardas calibre 12- popularmente conhecidas como escopetas - dificilmente se aprofundará... E a ninguém aproveita mais tal miopia do que aos bandidos!

             Ao tomar conhecimento de mais um roubo ocorrido em museus brasileiros, desta vê no Museu de Arte Moderna de São Paulo, todas essas idéias me voltam á mente.Já perdemos anteriormente obras de valor incalculável e por certo, infelizmente, tornaremos a fazê-lo. Como é que sofrendo com freqüência nas mãos dos criminosos, ainda não somos capazes de fundamentar nossa prevenção numa análise acurada de causas e efeitos, em toda uma série de eventos semelhantes, ocorridos anteriormente?

            Na atividade de segurança inexistem as chamadas ”receitas de bolo”. Da mesma forma, não há procedimentos que possam garantir-nos em 100% dos casos frente a uma violência, roubo ou um furto. Em planejamentos de segurança, quaisquer que sejam eles, sempre há uma possibilidade de falha impossível de ser eliminada. A primeira coisa que se aprende é que "não há segurança perfeita". A segunda, é que isso, por si só, não impede que nos esforcemos por tornar, a nossa, o mais próxima possível desse ideal de "perfeição”. Para dificultar, somos um povo que não pensa preventivamente e que, na enorme maioria das vezes, só enxerga um perigo após ser acometido por ele, numa ocorrência que, em boa parte das vezes, poderia ter sido evitada. Winston Churchill dizia que era na hora do perigo que os homens se lembravam de Deus e dos soldados. Tal como os soldados, os profissionais da segurança quase não são lembrados nas horas boas; só nas ruins e principalmente quando deles se espera verdadeiros milagres. Até acontecer o acidente, crime ou atentado, os profissionais de segurança, que tentam alertar para os perigos e para a necessidade de preveni-los, padecem com a incompreensão e são sempre rotulados como neuróticos, obsessivos, malucos ou, no mínimo, chatos. Quem trabalha sério neste ramo acaba se tornando estigmatizado por falar sobre o que ninguém perguntou ou acerca do que ninguém está querendo priorizar ou ouvir. Infelizmente, é fato que em nosso país a maioria "só põe tranca depois da porta arrombada" e isso precisa ser mudado com uma conscientização em torno da segurança.

 

 

          Hoje é comum acreditar que a simples adoção de tecnologias modernas, blindagens, sensores, rastreamento remoto, alarmes e circuitos fechados de televisão, empregados juntamente com guardas de vigilância privada, seja suficiente para proteger pessoas e patrimônio contra toda sorte de ocorrências adversas. Por mais que uma pretensa invulnerabilidade haja sido “vendida” para o cliente de segurança, infelizmente as coisas não funcionam tão bem assim...
          Como são nossas instalações? Quais as características do perímetro que dificultem ou favoreçam uma intrusão? Que tipo de equipamento estamos empregando? Qual o histórico de ocorrências adversas contra esse tipo de negócio ou de instalação? O quantitativo de guardas é suficiente? Eles estão cientes de como esperamos que eles atuem e daquilo que poderão enfrentar enquanto atuando no referido local? Tivemos oportunidade de testar nosso planejamento de segurança e verificar eventuais falhas?... 

          A etapa mais complicada do trabalho é a de analisar vulnerabilidades e riscos, verificar qual equipamento é necessário e onde ele deve ser posicionado, bem como estabelecer como se dará a atuação de todo o pessoal envolvido. Nada deve escapar ao planejamento, o qual deverá ser muito bem explicado aos guardas e a todos os demais envolvidos, que deverão executá-lo. Se boa parte das ocorrências de assaltos bem sucedidos se processa por falha humana – quer da própria vítima ou daqueles que lhe prestam serviço – é fato que na quase totalidade das ocorrências evitadas ou mesmo frustradas (a partir de uma reação) a participação humana foi também preponderante. O fator humano, representado tanto pelo homem que planeja quanto o que atuará na segurança, ainda são peças chave e fundamentais em todo e qualquer esquema de proteção.

          Num pequeno artigo como este, seria por demais pretensão ensinar “fórmulas mágicas” que permitissem ao leitor manter-se a salvo de furtos, assaltos, seqüestros relâmpagos, tentativas de extorsão e terrorismo. Não estamos aqui para praticar mais estelionato intelectual; porém estamos certos de que tais ocorrências, em boa parte dos casos, possam ser evitadas ou terem seus efeitos minimizados, por uma postura de segurança técnica e eminentemente adequada.

VINICIUS DOMINGUES CAVALCANTE, CPP, - o autor é Consultor de Segurança certificado pela American Society for Industrial Security e especialista em segurança pessoal de dignitários.




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